eia maluco, quem te vê
nem imagina quem foste
deambulando em lamechices
sobre riozinhos e fiozinhos
e a carinha fofinha das ninas
contra a lua...
pá meu, tens que atinar
alguém quer saber se lavra
a fome e a pele clara
algum grão de decência
nesse pantanoso desígnio
encharcado de desejo?
acorda malandro
cerra a vista desse pranto
e colhe pelo caule
aquilo que bem sabes
a rega maluco
a rega
as orquídeas murchas
perseveram no inverno
pintadas de negro
cobertas de ouro
brilhantinas duma material
forma de ser.
és excesso
pútrido, agudo
rasgado de querenças
és o veneno das sinuosas
formas do teu anima
o contorno dum sonho
plantado pela sombra
nas almas doces, sinceras
vampírico e nojento
coberto de vermes
campo do sol sangrando
num amanhecer depois da guerra.
ouves como uiva
o conhaque no cristal
parece digno
fino, de reputada presença
é só o destilar barato
que preenche cartolas
como um grande crânio
dotado de ciência e ocultos
ofícios
prestam em tardes de chuva
quando escurece cedo
mas pouco sabem de poda.
veloz, reza que passe
corre a portada e deixa entrar
a essência árida que pousa
por baixo da moagem.
és o pó
de campos esquecidos
larga-te dessas cantigas
são só superstição.
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