eu guardo
todos as confissões
que os olhos espelham
assim a tua face
descansa numa palma
e sente o ardor terreno
do aguardado mundo novo.
eu tenho
um canto para mil poemas
e muito chão desocupado
podem ficar os teus livros
e a roupagem por cima
cobrindo a verdade
com a transiente promessa
da união de corpos leves.
eu quero
que te lembres do rufar
das batidas no estrado
do ranger da segurança
tentativamente quebrando
a esperança dum passado
que não veio por fortuna.
eu sei
as dobras na coluna
querem unhas que as cruzem
fazendo caminho pelas sombras
e quando palpitar
uma saudade perfídia
seremos um
pela última vez.
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