sábado, 4 de janeiro de 2025

para uma amena cabanita

eu guardo
todos as confissões
que os olhos espelham
assim a tua face
descansa numa palma
e sente o ardor terreno
do aguardado mundo novo.

eu tenho
um canto para mil poemas
e muito chão desocupado
podem ficar os teus livros
e a roupagem por cima 
cobrindo a verdade
com a transiente promessa
da união de corpos leves.

eu quero
que te lembres do rufar
das batidas no estrado
do ranger da segurança
tentativamente quebrando
a esperança dum passado
que não veio por fortuna.

eu sei
as dobras na coluna
querem unhas que as cruzem
fazendo caminho pelas sombras
e quando palpitar
uma saudade perfídia 
seremos um 
pela última vez.

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