comem pó e ficam de pé
sem confiança, só certeza consumada
de que é o que é o que é
o vento passando o boné
entre transeuntes e maquinaria
pesada, na beira da estrada
lindos fumos da vontade
ela leva quem quer e quem pede
que se leve pela turbulenta
calçada.
uma luta, hoje vencem os da desembaçada
e petulante insistência
um optimismo invulgar quando é de noite
ou de dia ou de tarde ou toda a parte
que queira que seja alguma hora
concreta
derrotam-se vendettas
no corajoso compasso alterado
dum singelo e bendito
dia que acaba.
como fitam pelas laterais
os desejos calados!
como esperam a hora
os palpites da querença!
sorri-se na ffalência
no lusco fusco
nos travões embaçados
da falta do seu trato
acelerando sem prudência
por caminhos panorâmicos
enquanto sorri um casal
mal-cheiroso e cheio de vida
cobertos de negro
são mais que as luzes da estrada.
um dia teremos
pele rija
corações sensíveis
porque nem sempre é
castigo a vicissitude
de se ser assim
há quem jogue
e jogue
e perca
e ganhe
quando perde
sobretudo quando um passeio
se torna desfile
dum vitorioso fim de estação.
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