terça-feira, 8 de abril de 2025

galope tímido

calcando uma trave arqueado
ele traqueja, persiste, o domínio
o espera.
há um lavabo na cave
que reverbera o som dos seus passos
tac
tac
é a sola grossa que badala
uma puxada vulgar.
ajusta a guiaca, assente de passagem
e levanta o chapéu, perdido na era
na hora
na correnteza que encandeia
a vidraça baça.

furtivo, desconfia
com coragem honesta
perde-se o som da sua fita
pois cochicha a presença
uma multidão demorada
o perfil renegado.

esse couro gasto e dobrado
é carnavalesco
ou da zara

essa cinta é um costume
só lhe tranca os desejos

uma ganga barata
só lhe adelga nas coxas
e se arrasta no chão.

impávido
jamais
sereno também
jamais
acerca-se do bar
mas não lhe aceitam as balas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário