palitos sem ponta escondidos na caixa
redonda, panóptica, em grupos bem densos
atreva-se algum a cobrir a carola
parte-se!
logo!
à frente de todos!
lasca maldita, fiapo barato
quando se abana a redoma
cantam todos em coro
o seu compasso fininho
são dominós em fileiras
batendo os seus contos
uma marcha de guerra
fado útil e frágil.
haja dentes, palito, para sempre
e sempre
que te cumpra essa sina
preenchendo os espaços do que outrora
fora um ramo selvagem
ao vento, dançando com dedos
que se vergam ao tronco,
a lenda esquecida.
há uma ranhura entre o teu cárcere
e o resto, o perigo, a escuta
de onde operam robôs que carregam gengivas
esse desígnio que te incumbiu o presente.
espreita à revelia
sem pares julgar-te-ão a indecência
e que ciência essa de temer em silêncio
o vernáculo
metáforas trancadas em paredes de plástico.
ora ora ora
range a dentição
prepara mais uma lição
de como sucumbe à causa estranha
de pertencer à sua mamífera carcaça.
julga-se fino o palito!
que beleza, esquecido do que fora
quando bradava contra escudos
a sua ponta metálica e sanguinária
apontando morte e desgraça pelo horizonte.
castrato! torna à tua fossa!
e piamente ele baixou a cabeça capada.
instrumentos cruéis de raízes e crenças
os manípulos da peste, heróis do inimigo
são sentenças tão justas, o chocalho que sois
apenas reflete a vossa impura essência.
a sua forma, cada célula pulsando,
maldita a hora que encarnaram
estas bestas tiranas em pele.
feridas foram um pago adiantado
da casta rotina que nos incumbem
e o ódio crescendo
vai-se pegando aos do lado.
coroado, um seu par
discursa de um leito real
cabeça gorda, estrutura ímpar
prega a permanência dos votos
diz que é a sua coragem à qual
todos podem ambicionar.
mal sabe que a coroa que o cobre de vaidade
é o laço da sua punição
o extermínio antes do químico descarte.
perdidos no vento murmúrios de longe
tentam a paciência frustrada
cada vez mais magra
como eles.
maldosos
só procuram instrumentos
no desgosto desta caixa.
não há memórias
não há respostas
quem foi feito de madeira
serve apenas nas mãos de outrem
e assim foi
e assim é,
consolo profano só cabe às pessoas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário