quinta-feira, 17 de abril de 2025

cheguei e saí

eu despejo o cinzeiro para um saco
dumas compras alcoólicas
que fiz morto de fome
e conforme enfiei-me 
num petisco barato
umas anchovas 
que guardei até agora.

dancei na entrada com os pés todos tortos.

trabalho, fogos-de-artifício, toda a gente precisa
de alguém que o apoie.
meias cinzentas, corrente de prata, tudo correndo
mandando um abraço e saindo de casa
carregado, armado, toda a gente precisa
de algum tipo de afecto.

amiga amiga amiga
fintei-te na esquina e virtude quis
que olhasses para fora, uma paragem
banal.
haja vontade, fugaz,
movida a certezas que não se puxam
nem em milhares d'anos, genéticos
como os encaixes da nossa grotesca
forma de saudar em silhuetas.

uma peça
um semblante barato
uma espera idiota
onde apanhas a camioneta.

dancei na estrada com os pés todos tortos.

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