segunda-feira, 12 de maio de 2025

amor e família em tempos de crise

chamam-lhe a diplomática forma de ser
família
palavra pesada de trâmites confusos
distante, amarrado à árvore de ser
como se negam esses apegos baratos
armados pela sentença que toca
aos devedores dos seus cabeços
atados e vergados com resiliência
negando ser mais uma rocha do percurso
encrustada no trilho de vir atrás.

és filho da tua raça, atroz,
primo, irmão, parente
semblante em caule posto
dum vigor que não te coube
compensa
entre querelas e querenças, invariável,
vislumbre duma cobra que cobre apenas
quem foste
em diurnas promessas esquecidas
és alguém, como és, meu caro
família 
um vocábulo que cabe na ponta
da caneta e pouco mais que isso
vedado, incolor,
um fruto da sua espécie.

regredindo que chegue pelas vias do
que foi, há sido não fosse
o destino um rumo obscuro de quem foi
conforme feito, vielas emplumadas de certezas
que conferiu a vaga via dos tentados
quando cobrem de certezas as presas
afiadas
afiadas como sempre na vingança dos
dias temperos,
rasgo de pecado pedalando pelas peças
desse mundo expositivo e vendado
de si mesmo
encoberto no suor duma rasga vista
de olhos claros, pecados que se pagam
quando persiste na linhagem.

tapado de culpa
tapado de brilhos
que aclaram a mentira
persistente e verosímil 
pérolas que escorrem pela face
duma pessoa perdida nos seus apetrechos
baratos de ser possesso.

fraca de cara e farta de cores
os dias borram um quadro
a que chamamos de ética
assim persistem sombras:
chamam pessoa ou um vislumbre
de alguma coisa meio humana.

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