terça-feira, 27 de maio de 2025

calçada portuguesa

tive uma visão, foi boa
e montei-me nela certo e seguro
que por muito que esfumasse
de incertas fianças
seria o rumo dum homem barato
rodando por bermas
que ligam aldeias.

vislumbres da minha classe
batendo sola contra calçadas
que são buracos e um resto de pedra
dum corpo qualquer.

é um verso bagaceiro
é um terno bulir
um qualquer tremer
quando bate um passo neste
rijo e calcado chão pálido
vai e vai e vão
pela beirada contrária.

há uma chave tilintando
entre almada e o barreiro
ferrugenta, rija e cívica
na sua peculiar força,
sapateando entre outras contagens
baratas, sem peso,
ditos órgãos de algibeira.

caindo da graça
a prudência da noção
nas asas de mosquinhas
mortas no húmido duma
sagres mini, composta de corpos
os mesmos doutra alma
as ditas que se ficam,
os calceteiros doutra era.

e eu sonhando com amor verdadeiro,
burro burro burro.

um braço forte
como diriam na torre de vigia
e uma mão amiga.

de onde és
se não deste chão que te segue
atlântico adentro?

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