uma carcaça tende
a centrar muitas atenções...
é tão rica, já ali
pronta e sem esforço
uma bênção, bem,
talvez não para o coitado
que a carregou em vida.
seres menores, rastejantes
roedores, aspirantes,
as crias de um grande tirano
os cangaceiros nos seus bandos
uma presa faminta e sem escolha
comendo por igual
o sol quente e o chão seco.
as moscas cortam o silêncio astuto
de uma fauna cautelosa.
havendo corpo, há ciclo.
pergunto:
que amparo tem um ciclo
com as línguas nas veias
mais os dentes nos ossos
e as larvas nas costas
e as garras de fora?
os olhos descrevem
o horizonte rolando, vai-se enchendo de pó
faz um energético lanche.
há o controlo em equipa
e a força da besta
de quando em quando só o grito
supera o peso dos números
ou o tamanho dos músculos
ou o influir da cultura.
barulho
sedimentos
adrenalina
a energia constante
é uma atração para todos.
pergunto:
há camaradagem aqui?
não.
famílias, colegas:
o amoral imperativo
do bem-estar e bem-fazer.
a carne desperta mas não traz piedade
a vontade comanda mas não traz piedade
a competitividade esgota a piedade
numa savana - que inútil
aqui e agora...
também não traz piedade.
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