quarta-feira, 25 de setembro de 2024

palavra & permanência

massagens no ego, malícia composta
da ignorante imprudência de se achar pertinente
ei-lo, no jusante, esperando que caiam as gotas
como folhas num outono da cidade
o chão pegajoso
temperamento perigoso
as barbáries da espécie.

é a faca nos dentes, com um sorriso sonso
bicho de ares, espelha o nada quando nada vale
tudo pode, das poucas vezes que brilhou.
tampa em alumínio, ferrugem da ausência
foi o descarte fugaz, brilhantina da memória
posta em causa numa lupa, encarnada
encontrada e com os indicadores roxos.
a raiva e a ira, pergunta e resposta,
a cabeça exposta ao céu nublado
e chuviscando no império em terra.

deambulando segue a linha, entre carícias
e encontrões, desconfiança que brota 
da consideração que vacila
no momento que precisa.

três sermões, se é que posso
bisquei o poço lamacento
um perfeito que lamento no deboche
tirando a capa que sacode
com o vento no regresso.

trepadeiras morrendo em verso
contornando um vidral antigo, baço
raso, crasso, craveira incerta
e una apenas em si.

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