pequenos pauzinhos enfiados um a um
pelos poros, pelas narinas, pelos ouvidos,
pelas entranhas, pelo focinho, pelas feridas
abertas, pelas entradas, goela abaixo, dourando
os cantos obscuros carcomidos de plástico
com luzinhas redondas que piscam quando
inspiram o caminho de flores que foi feito.
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as flores de ontem, a flora de hoje, os prantos fecundos
da glória e da mágoa.
pauzinhos na caixa, a tabla
toca os teus passos pelo pasto.
as flores da foice, o trigo dança com o vento
que os cobre de pétalas, roubadas ao que foi
ou talvez nunca foi sem ser na cabeça de homens
coroados pelo sol e pela coragem.
enfia-os, acende-os,
a brisa carrega o seu fumo
pelo vale das memórias.
foste uma pessoa em tempos
NOJENTO
mas pessoa
NOJENTO
e de carne fraca
NOJENTO
com as costas arqueadas
sem o peso de nada.
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mais e mais e mais e mais
fechando o quadrado que tranca
tão perfeito os cantos à casa
cujo esqueleto é agora
moscas mortas, mofo,
desejos omissos, segredos plantados
em palitos fininhos que, todos os dias,
elevam as hormonas do flagelo
que chamas e não responde.
NOJENTO
todas as flores murcham um dia
e darão de comer aos bichos da luz
e às almas da noite que vagueiam
pelos contornos do planeta
sem destino, desencontrados,
largados da fé que agarra a mão amiga.
enfia o cigarro dentro desses livros
e rega a estante e joga-lhe fogo
queima todas as partes podres
dessa cova a que chamamos lar.
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