quando abri o jornal vi uma peça sobre
hipnotismo erótico.
boa, mais fanfarronices da virtuosa
massa digital.
que bem sabe acordar com os pêlos dos ouvidos
tinindo e os intestinos aos saltos e um aroma
a enjoo pousado nas paredes suadas do quarto.
a tal prisão do costume, penso para as gavetas
cheias de camisas amarrotadas, mas quando leio
as notícias e vejo que se andam a deixar levar
por cassetes de hipnose, pois... até parece
ridículo o meu drama recorrente.
como conseguem?
vozes artificiais dando termos
à submissão da vontade, uma proeza que sempre julguei
um truque barato de feira. talvez me faça vítima
do sensacionalismo do clique. seria fácil
encaixotar esse tema assim,
lamento mas é real.
depois considerei usos práticos
(que grande ironia, desculpa senhores
da cia)
e depois desconsiderei, pois não sou ouvinte.
não serei orador, apesar de parecer
divertido e vizinhança dos talentos
que emprego.
depois considerei usos perversos
e vieste-me à cabeça novamente
e lembrei-me que mal me lembro
do teu rosto, quando me pediram
uma descrição só sabia dizer
coisas que gosto e não aquilo que és.
um auto-hipnotismo dos rufos
que tocam debaixo das mantas.
voltando ao bambi, é uma leitura interessante,
mas descartarei com zelo estes fetiches
marados de deixar que me caguem
dentro da razão. ou de cagar
na dos outros, já agora.
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