sábado, 2 de novembro de 2024

máquina de enrolar

o tabaco de enrola deixa um cheiro nos dedos
sacia bem menos e deixa um rasto que é tosco
parece que andei a chafurdar em bolachas
e espalhei as migalhas para cima do colo.

o cheiro do fumo alivia depressa
e seca-te a vista cá dentro um pouco
especialmente se formos mais do que um
por muito que isso não seja comum.

maquineta de ferro, fiel companheira
conheço-te as dobras e os fios do teu gráfico
não és a primeira nem a segunda
uma lição que devia tirar com certeza.

vivemos no lixo, dormimos no chão
troquei-te por outras que entretanto não estão
o teu tapete encardido não me repele o prazer
de contar contigo quando o camelo acaba.

que belo cabelo refletes à luz
assimétrico e baço, caleidoscópio o padrão
a tua curva ligeira agrada ao meu tato
e aprendi para que serve na televisão.

folha de amber, filtros magrinhos
o papel que o fecha, smk
são consoantes do fumo
e constantes da vida.

tchk - fechei
e saiu mais um
como sempre.

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