quem visita o apartamento
donde vos conto as minhas manhas
conhece-me bem, bem por dentro
como se arrumam as ideias
nesta cabeça chapeleira.
os adornos passeiam comigo
por trás da cortina nunca vale o esforço
é fútil, enganas-te a ti mesmo.
móveis postos contra os cantos
o espaço amplo e iluminado
permite examinar a sujeira
com muito mais precisão.
é completamente necessário
que o podre seja óbvio
e a nostalgia malvada
fique trancada fora da memória.
bem-vindos compadres
comadres, senhor das entregas
o meu sofá é maior que a minha cama
e está em melhor estado
porque é menos frequentado.
é o que é, portanto sentem-se
à vontade, vou buscar o banco de madeira
que trouxe de mem martins
para fazer de mesinha
assim podem pousar o copo de vinho
o de café e o balázio de um litro d'água
e apanha o cinzeiro branco
que eu reservo para visitas
está mais limpo que o verde
aliás esse já nem faz sentido
porque é a única coisa verde nesta casa.
comemos um frango no forno?
tenho kilos e kilos, partido em pecinhas
no congelador como se fosse um sanguinário assassino
e confesso que é como me sinto
quando jogo aquelas peças enormes na tábua
e me ponho a fatiá-las para pôr em sacos
individuais, 300 gramas por porção.
bem, talvez seja melhor mandar vir uma pizza
não quero perder tempo com preparos
quando há tanto para contar sobre a semana
de trabalho e senhoras e dos enredos emblemáticos
de pessoas que vivem à margem.
deixem-me só adequar a música
porque isto não é um filme
mas aqui é onde dirijo as narrativas
que por sorte Deus me conta
com clareza e sensibilidade
estética, filosófica e também cómica
melhores anedotas, palhaços mais engraçados
vocês já o sabem de cor.
4 queijos, é a melhor
eles não são italianos mas são brasileiros
o que é altamente relevante aqui
a massa é fina mas o sabor intenso.
partimo-la em 6
que são vocês
e o que sobrar das entradas
fica para a alta hora
de onde emergem os bons recuerdos
que calham aqui no blog
quando os dedos se esquecem
quem é que manda neles.
é boa não é?
o fumo fica denso
a vista turva e lacrimeja
vou escancarar a porta
com confiança porque sei quem sois
e o reverso ainda mais.
tudo se pode no cúbico
os temas proibidos, os tabus que nos prendem
o ócio que a rotina cria
no mundo girando em patacas
mas quando estamos cá todos
nunca se falam dessas coisas baratas
assim aprendemos o que realmente nos motiva
podemos rir muito com isso
campónios do subúrbio.
daqui a pouco começa a corrida
e vamos assistir sem pressas.
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