domingo, 1 de dezembro de 2024

memórias em pedra oscilam com a chama ténue

nem nome nem sítio nem nada
fica o vazio da consciência encharcada
e já não é nada mau, digo-te sem fretes
certo como os horários na estação
quando não há greves nem tumultos
como foi nesta semana maldita.

o que é o doce das altas jornadas
senão lembranças que congelam no agora
revelando-se tímidas no pátio de estátuas
as fracas memórias aos flashes no escuro
as caras em pedra franzindo ou sorrindo
e as borboletas pousando em lábios dormentes.

cumprida a palavra que inverte ao espelho
sacrifícios sensatos em termos concretos
dói sim, bem sei, é o fardo da cura
de encontrar o rumo pelos estreitos insensatos
é necessário deixar que o obreiro opere
do seu cunho emerge o que a cada compete.

benditos vapores do musgo das rochas
a sua essência refresca o olfato domado
crava a vista em detalhes macios com virtude,
os calores aprazem mais perto da fonte
no matrimónio perfeito do ser com a estética.

flash
bate os olhos nas horas
as tochas piscaram
e a visita acabou.

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