segunda-feira, 20 de julho de 2026

este país não é para cegos

furei o olho que não vê
sorte foi
fold na small blind.

perdido por dez
perdido por trinta
perdido por um
perdido por nil:
nil novi sub sole.


marcação da forca omw - de roma por meios transatlânticos

meia-noite, hora do adoro
ou do adorno, o giorno
contorno dum bendito 
entrecosto.

bem posto.  bem dito.
reveza o pedido -
o pedido um menino
que relembra o mendigo:
a sério tem pouco
o jugo na coxa
pendura no alto
os ténis de fato
dois cacos dum prato
e serpentes no passo.
assim vê-se o vislumbre 
no tracto
yuck
tresanda a mofo.

problem?
what problem?

no espaço cowork
alambique à espreita
e as meias fodidas
cobertas de meita.

papelão papelão
papelão papelão
é vilão pois se não
fui eu que errei.

fuck fork dork
live laugh love
tic-tac-toe
& xoxoxo.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

ninguém

namae namae doki
doki dói a ver o tempo que 
o motorista leva até fechar 
um pedido fechado às escuras.

são canções robóticas, azuis
simples e ~~ pum
qual é qual é qual é?
quem é que fez parte dest-
ninguém  ninguém  ninguém  
ninguém  ninguém  ninguém  
ninguém  ninguém  ninguém  
sorry sorry sorry
uh - uh trovando contos 
justificam boças, contas que fazeis
em tédio, conforme, a voz que impele
ao trabalho, fracote sem coragem
o mecanismo que tomam todos
para lidar com isto de que 
ninguém  ninguém  ninguém  
ninguém  ninguém  ninguém  
ninguém  ninguém  ninguém  
é pessoa pessoa pessoa
pessoa pessoa pessoa
só uma forma coadjuvante de ser
esquecido pelo tempo devorante
faminto e certo, bocanhando tudo
quanto cabe na falta de vontade
cultivada por
ninguém  ninguém  ninguém  
ninguém  ninguém  ninguém  
ninguém  ninguém  ninguém  
ou 
tu e tu e tu e tu
mas paga quem canta e faz memória
sem matéria daquilo incontável, essa tal
força indeterminada e fogosa
escrita apenas em fugazes contos
- brincos, formato de vestuário
para lidares com a fumaça inútil
que arremata em quem és.

já tá
já foi
és tu a
maria que não fez
nem deu nem deu
luz ao filho Dele
concebe apenas a face inculta
dos que penam como os burros
como as penas cinzentas aplanadas
pelas rodas e por quem sabe mais
que há-há-há-há
envolto em segredos, as luzes que cabem
na manga dum mago malvado, cheio de respeito
pois encho de catarro, espirro, inspiro
já tá
e entredentes
ah!
ping!
morre morre morre 
morre morre morre 
morre morre morre 
morre morre morre!

o sal da terra verte o líquido purulento dos seus proventos
sucinto, o éter e a sua forma
ficando assim dobrado e esquecido por mais mil anos.
lembra-se portanto o Pai e pouco mais
picando - devorando
carne plástica e pouco mais.

誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない

quarta-feira, 8 de julho de 2026

boi na linha

não se esqueçam das orelhas-abanico
do mestre, paizinho, de bandelete
e riscas nos ombros
a dita espinha da sua farda,
a rica vinha que nunca brota
fanico, vero e lambido
pingas que sobram quando roda.

prensa com vigor mais um ente
imaginário, de engenhosos talentos
virtudes transbordando e as gotas escorrendo
que tomam a camisa branca como um palco
para os seus vacarinos contornos.

muuuuito bem e ágil da mente
trapezista de bigode com todas as feições
do mundo no guarda-roupa
líder nato
rei do pasto
com um onze na testa
mais um alvo na pança.

é chefinho pró abate
sim sim sim!

terça-feira, 23 de junho de 2026

sucintamente passageiro

PILOTA ESSA MERDA 
FODA-SE!

e entrei em nome
da paz dum bairro pobre
tanto porque posso
e devo
mas acima de tudo: 
silêncio do seu instinto.
feito assim
pois não consigo doutra forma.

resposta presciente:

és homem de carne
e plano fechado:
assim amas o 2d.

gendo

parece um átrio de aguardo
que ficou como a única
incandescente maneira de contar
as travessas tabernas feições 
carregadas, em soluços venerados
pisam aquilo que cabe
cab
ao verbo jazziento de quem
vestimos no fim fundando
das contas prescientes do teclado
coberto de ti, mim, o vero poetizo, o homem
virulento entreaberto das notas do saber
rejeitado - e rejeitado fica quando mente
um dois terno... abrilhanta
quem se calça
duma luz
inaudita
traços despeitando quem foi
ou devia ser...

a face da tua face
essa face banhada
pele tua e tudo mais
que não
tu não
sideral e planando algures por um homem
esperando pelo amor certo, circassiano 
dobrado de arrependimentos
olha, dobra a fronha da leveza levando
alguma coisa que podia ser um homem
bom
só que
não.

repousam ossos entre boças odiosas
enfrentando quem foi ama
de tal forma ama que diriam
é o teu ver a nossa essência
cobertos de razão
trouxeram as notas da nossa
forma franca em negação.

que sonho
o pecado fez-se pleno e guardamos a vontade em narrativa barata, vendendo aquilo que queres - o amor da tua carne - sendo assim pouco mais que uma memória que estimas, encantas
adoras 
como se fosses um legado dessa imagem.



segunda-feira, 22 de junho de 2026

zomba modesta

hoje o punpun gracejou com o amigo
pelo telefone na labuta
conhecida de várias décadas 
e assim se lembra: 
é na alma que cabe o consolo
mais o amor que é,
não se faz,
apenas resulta da inevitável
força originária,
o autor.

todas as ideias repulsivas que escondia debaixo do chapéu são agora estrelas radiantes num detalhado e gracioso céu cinzento
prova assim que o rumo não casa com o seu desfecho
escarnecendo do funesto busto que apaga tantas vezes
as luzes das suas luas.


sexta-feira, 19 de junho de 2026

a maior injustiça do universo

avaria tão dura
essa cara fechada
com os olhos pesados
postos de avesso à gran e maquiavélica
oposição à vaidade.
desconta os mortos na estrada
os entes deserdados
o varão perdido pelo único dos dignos
e os dentes que eu fui buscar
debaixo do armário
atrás da cama
cobertos de pó e encarnado
como a ideologia que vestes
nas peitaças da casaca
ou o abandono
ou a miséria
as dormidas na rua
o medo que corre nos olhos
duma mãe quando as mentiras
viram inquisitório e ela tem que decidir
entre a cadeia
ou o presente que fez
ou a mioleira espalhada na calçada
dum velho suicida
que dá a aula de como somos todos
por dentro
quando a fé baza
e o calcário chega em queda livre.
tirando isso e a fome
mais a guerra que faz de brinco
nas redes da tua renda
há injustiça mais feia
que esta cara fechada
com os olhos pesados
postos de avesso à gran e maquiavélica
oposição à vaidade?

quarta-feira, 10 de junho de 2026

o sangue na parede

tá ali a marca das balas
que fecharam a porta ou
dito por quem desdisse
ou Deus disse
por quem opõe
o deslize, a forma que trouxe
filhos a casa, formas à lousa
de trezentos anos tresandando
entre os sinos das escolas
e um abalo que pára
a espera na gola de vinte
fulanos 
guardando um corpo.

corpóreo, alem
talvez
tal foi o mal que uma face
fez-se peneira com furos em cabedal.

vem a conversa que a fez
mais essa gente que a conserva
pois passa o trânsito enquanto enlaça
pelos dedos de óleo negro
os pedaços de alcatrão
mais um naco quiçá
duma alma, duma essência
que pode ter ficado num buraco por tapar
e as verbas do novo centro de saúde que se estreia impaciente
sem doentes.

corta-se a fita onde a fera trouxe ao Pai mais um vislumbre da sua informe e voraz sede de quem fomos.

e o sorriso de quem o toma por milénio e meio
dissipa na sua órbita inconsciente
o furo e o sangue
não de balas mas de homens que eu não sei.

que carro se atreve senão um qualquer
com as rodas nas valas
haja coragem: aceno
enquanto as penas dum corpo
a penantes edifica que a tragédia
é pouco mais que a sua memória:
fica dita numa língua que nem existe.

há a tinta de ferro e furos de cimento
mais a vida domingueira que sucede
ao pó que resta quando
pelas chávenas mais os dias
se enterram por virtude
da pura e necessária pulsão de assim ser.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

mote do bom homem

são frases que relembram quem foste
ó dito homem sem nome
sincero em passo e dupla nota
findo o brilho constelar
da tua bota janota
passando, passando, passando
pela luz alta da copa de cenas
registadas em púdica sentença
pois são fonte de alergia
a tua alegria
espirros passando
passando, passando
soando e assoando
diferentões sois
e o mole supetão:
feição incorrigível.

toca um embalo melancólico
em nome do teu nome
esse tal dom eu sideral
plana
por cima do brilho dum rio sujo
pela gosma negra engolindo
enquanto as horas passam
pois nada se decide
depois das duas da manhã.

supura na tosse das más andanças
o lago donde brota.

joga joga
mete tudo cá pra fora
é a forma natural
o lodo da cidade.

aspirando ao heroísmo em voz e feitos triunfais
punhal na cinta, certeza na franja
treme com a mão em riste
nunca será
nunca serão.

o dia passou como se nada fosse.

eu

eu voava rente ao chão com cuidado
para não meter as fuças na cablagem
engavelada nas varandas de vizinhos
que arrendam e se estão a cagar
para os cabos enleados na varanda.
faz de dispensa aberta
ao técnico não custa nem pede licença
quer despachar o serviço
e onde mora é igual.

eu foi andando com o bico rente ao chão
quando pousou
- uma pose natural -
pensava no nome que levava
entre as cordas e as farpas
delineavam uma anca fracturada
vestida de fulgor e traças 
parceiras, exclama:
o meu nome
é
eu!

e eu
sou daqui!

o universo cuspia na sua sombra
e eu, resoluto, afincava o pé
fazendo força nas coxas lá ia
pelo meio dos morcegos
traçando a ceia na sua luz.

eu pisou a lua e as estrelas e tudo que cabia
debaixo do seu barrete.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

enterrando a gabardine

vai que a gente pega pelas alças desgastadas
as vestes cobertas dum óleo que tudo besuntava 
e por onde passava, como uma cera polindo
mais o seu fecho riscando,
ficava inscrito no espaço um decalque
dos seus dedos curtos e gordos
fazendo de trilhos rabiscos:
a dita pegada da mão sinistra.

a palma e a manta porca de suja
vão elevadas no vento
pelas vozes que as trouxeram.

leva leva que já não voltam.

lições do outro lado pt. 1

aprendi a escrever com espaço duplo.  este assim, que demarca
com uma autoconfiança que só podia ser medicada.
faz bem, pá.  pois pois.

terça-feira, 21 de abril de 2026

vulgar e uma mão cheia de copas

supondo que sempre fomos
a forma e a fala e as vazas
contadas em esquemas que não
se vão
serpenteiam antes
consomem e tornam a alma
em pleno e certo, confiante
vitória
conta - são copas.

tudo feito pela copa
encarnada onde descansam
os tempos laboriosos.

um dia será
uma memória amorosa
certa, certa que não foi
nada
cheia de covas
lápides pálidas 
olhas e fitam
quando queres enterrar
o que não sendo
não foi.

um dia lerás a minha mente e com toda a sapiência
que te fez vigário do juízo
restarão lamentos
mais lembranças do oceano
zangado e artista
produtor e mestre d'obras
aiii
não te deixaria nem que o resto implorasse.

há óleo na cara dos meus compadres
e ouro nos dentes dos bruxos
mendigos, larápios
a minha estirpe.

aia aiaiaiaia
talvez falso
seja o que me cabe
o meu trunfo.