sábado, 5 de setembro de 2026

o ciclo da natureza

a estrela matou a diva
o streamer matou a estrela
o bardo matou-se algures entre a fumaça do comboio
e a tv sem som duma cantina cheia.

adoro cigarros

é sabido que o nite é o melhor amigo
sabe tudo
pois estamos juntos
todas as horas de todos os dias
e ele não relincha nem cobra
não duvida, não hesita
jamais torceu a ponta
ou pediu aquilo que eu não fosse
capaz de oferecer
como lume e que o fume
e...
só lume
e que o fume.
é tudo que me pede
o resto tá comigo
e assim vamos
amigo dum amigo
o meu nite,
meu amigo
às vezes veste-se de bronze
quando não dá é como calha,
amigos na mesma.

de ti o que te espera?
o resto: todos os dias da tua vida
e ele, rien! 
fica embaraçado numa névoa agradável.

mas falas duma causa que te prende
bem sei
e que fácil é amar este vício
sem fitas
até quando catas as pontas dum cinzeiro
na mais abjecta e miserável pobreza.

seja na oferta ou no pedido
é fácil, directo: tens um nite?
sem dramas, sim ou não
qualquer um é na boa
porque o tabaco tá caro
não por culpa deles, claro,
é assim imposto.
por si custava o mesmo que uma palha
barata e medíocre
aquela que só cabe na beiça
da gente que já carpiu.


sexta-feira, 31 de julho de 2026

os filhos do mal

passa-me a caneta encarnada
que escreve este nome 
condenado
donde o amor como nunca
se sentiu 
coube
em flores malvadas
d'um porco
dois
feitos um para o outro.

ha
ha
ha
ha

post em linha recta

nunca conheci quem não repudiasse a porrada
ou se não condena, não deu.
todos os meus conhecidos são feitos de pura virtude e tolerância.

não consigo fugir da zanga, do patético sentimento de revolta
não contra as injustiças, mas contra mim em particular
por uma pinga de amor-próprio que já por si vem mastigado
por um queixo que se mostra sem que se preze, só se ergue
em puro instinto de preservação
este meu, que se purga e se sujeita à baixeza da sua casta
sem juízos magnânimos, maquinações sinistras do sistema -
nada disso, só a cara peluda inconsciente e insubmissa
que cala a matraca quando devia falar
e fala quando devia ficar em silêncio.
eu, que não condeno os tiranos
nem tomo a parte de quem nos cuida,
nem vergo as costas às boas causas,
ridiculamente contra tudo, calando e consentindo
não por concordar com nada mas por,
discordando de tudo,
não querer fazer nada.

e a grande rede que me circula e me acolhe
é feita só de gentes boas, certas, articuladas,
de pomba branca incauta nos ombros e enciclopédicos saberes na alma
todos eles senhores - todos eles príncipes.

quem me dera ver de alguém a calma gasta
que me contasse um rancor, um malquerer
só umzinho que fosse!
não, só ações cívicas e a mais prudente
forma de levar a vida a tento,
todos só me dão os melhores conselhos.
haverá alguém neste mundinho transiente
que se tenha passado e foi à cabeçada
ou não indo, quis muito?

mestres, doutores, meus príncipes
raios mais a grande consciência!
há quem tema a justa ira dos céus neste mundo?

ou sou só eu que sei que me vão ao pêlo
pela vil forma como me arrasto nesta terra?

pode o amor ter sido acordado
e escapado pelas linhas do tratado
pois amaram sim! dizem os termos do contrato
e traições e mazelas da rotina não entram
nessa quadrada legalidade do que é ser par
pois assim ninguém se zanga, não há gritaria e roupa suja
nem que se traia ou se tome por parvo!
e eu, que nem traído nem feito tolo
virei a casa ao contrário, e chorei de ridículo
e escondi essas lágrimas em mesquinho orgulho
sem contrato nem nada, joguei as palavras com impropérios
passando vergonha na rua, nas escadas, em toda a parte.

como posso existir à frente dos meus modernos superiores?
eu que tenho sido vil, literalmente vil
vil no sentido fodido e embaraçoso da vileza?

terça-feira, 28 de julho de 2026

verbalizando fora do contorno performa a expressar jocos neste nosso fado

amália, cojunga-me aí tricromiar
ou trissomiar
ou desemerdar 
(dsclp, esse só não pode porque é mau-mau tautau)
ehh, tá-
arrolemos então designios
para alexitimiar o ai ai
do tipo
designar
é tornar design:

>< <> >< <> <> <> <>

(jokinhas pr'a ti,
em puro código,
fugindo assim dum ciumento
basilísco)

segunda-feira, 20 de julho de 2026

este país não é para cegos

furei o olho que não vê
sorte foi
fold na small blind.

perdido por dez
perdido por trinta
perdido por um
perdido por nil:
nil novi sub sole.


marcação da forca omw - de roma por meios transatlânticos

meia-noite, hora do adoro
ou do adorno, o giorno
contorno dum bendito 
entrecosto.

bem posto.  bem dito.
reveza o pedido -
o pedido um menino
que relembra o mendigo:
a sério tem pouco
o jugo na coxa
pendura no alto
os ténis de fato
dois cacos dum prato
e serpentes no passo.
assim vê-se o vislumbre 
no tracto
yuck
tresanda a mofo.

problem?
what problem?

no espaço cowork
alambique à espreita
e as meias fodidas
cobertas de meita.

papelão papelão
papelão papelão
é vilão pois se não
fui eu que errei.

fuck fork dork
live laugh love
tic-tac-toe
& xoxoxo.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

ninguém

namae namae doki
doki dói a ver o tempo que 
o motorista leva até fechar 
um pedido fechado às escuras.

são canções robóticas, azuis
simples e ~~ pum
qual é qual é qual é?
quem é que fez parte dest-
ninguém  ninguém  ninguém  
ninguém  ninguém  ninguém  
ninguém  ninguém  ninguém  
sorry sorry sorry
uh - uh trovando contos 
justificam boças, contas que fazeis
em tédio, conforme, a voz que impele
ao trabalho, fracote sem coragem
o mecanismo que tomam todos
para lidar com isto de que 
ninguém  ninguém  ninguém  
ninguém  ninguém  ninguém  
ninguém  ninguém  ninguém  
é pessoa pessoa pessoa
pessoa pessoa pessoa
só uma forma coadjuvante de ser
esquecido pelo tempo devorante
faminto e certo, bocanhando tudo
quanto cabe na falta de vontade
cultivada por
ninguém  ninguém  ninguém  
ninguém  ninguém  ninguém  
ninguém  ninguém  ninguém  
ou 
tu e tu e tu e tu
mas paga quem canta e faz memória
sem matéria daquilo incontável, essa tal
força indeterminada e fogosa
escrita apenas em fugazes contos
- brincos, formato de vestuário
para lidares com a fumaça inútil
que arremata em quem és.

já tá
já foi
és tu a
maria que não fez
nem deu nem deu
luz ao filho Dele
concebe apenas a face inculta
dos que penam como os burros
como as penas cinzentas aplanadas
pelas rodas e por quem sabe mais
que há-há-há-há
envolto em segredos, as luzes que cabem
na manga dum mago malvado, cheio de respeito
pois encho de catarro, espirro, inspiro
já tá
e entredentes
ah!
ping!
morre morre morre 
morre morre morre 
morre morre morre 
morre morre morre!

o sal da terra verte o líquido purulento dos seus proventos
sucinto, o éter e a sua forma
ficando assim dobrado e esquecido por mais mil anos.
lembra-se portanto o Pai e pouco mais
picando - devorando
carne plástica e pouco mais.

誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない
誰の記憶にも残る人間はいない

quarta-feira, 8 de julho de 2026

boi na linha

não se esqueçam das orelhas-abanico
do mestre, paizinho, de bandelete
e riscas nos ombros
a dita espinha da sua farda,
a rica vinha que nunca brota
fanico, vero e lambido
pingas que sobram quando roda.

prensa com vigor mais um ente
imaginário, de engenhosos talentos
virtudes transbordando e as gotas escorrendo
que tomam a camisa branca como um palco
para os seus vacarinos contornos.

muuuuito bem e ágil da mente
trapezista de bigode com todas as feições
do mundo no guarda-roupa
líder nato
rei do pasto
com um onze na testa
mais um alvo na pança.

é chefinho pró abate
sim sim sim!

terça-feira, 23 de junho de 2026

sucintamente passageiro

PILOTA ESSA MERDA 
FODA-SE!

e entrei em nome
da paz dum bairro pobre
tanto porque posso
e devo
mas acima de tudo: 
silêncio do seu instinto.
feito assim
pois não consigo doutra forma.

resposta presciente:

és homem de carne
e plano fechado:
assim amas o 2d.

gendo

parece um átrio de aguardo
que ficou como a única
incandescente maneira de contar
as travessas tabernas feições 
carregadas, em soluços venerados
pisam aquilo que cabe
cab
ao verbo jazziento de quem
vestimos no fim fundando
das contas prescientes do teclado
coberto de ti, mim, o vero poetizo, o homem
virulento entreaberto das notas do saber
rejeitado - e rejeitado fica quando mente
um dois terno... abrilhanta
quem se calça
duma luz
inaudita
traços despeitando quem foi
ou devia ser...

a face da tua face
essa face banhada
pele tua e tudo mais
que não
tu não
sideral e planando algures por um homem
esperando pelo amor certo, circassiano 
dobrado de arrependimentos
olha, dobra a fronha da leveza levando
alguma coisa que podia ser um homem
bom
só que
não.

repousam ossos entre boças odiosas
enfrentando quem foi ama
de tal forma ama que diriam
é o teu ver a nossa essência
cobertos de razão
trouxeram as notas da nossa
forma franca em negação.

que sonho
o pecado fez-se pleno e guardamos a vontade em narrativa barata, vendendo aquilo que queres - o amor da tua carne - sendo assim pouco mais que uma memória que estimas, encantas
adoras 
como se fosses um legado dessa imagem.



segunda-feira, 22 de junho de 2026

zomba modesta

hoje o punpun gracejou com o amigo
pelo telefone na labuta
conhecida de várias décadas 
e assim se lembra: 
é na alma que cabe o consolo
mais o amor que é,
não se faz,
apenas resulta da inevitável
força originária,
o autor.

todas as ideias repulsivas que escondia debaixo do chapéu são agora estrelas radiantes num detalhado e gracioso céu cinzento
prova assim que o rumo não casa com o seu desfecho
escarnecendo do funesto busto que apaga tantas vezes
as luzes das suas luas.


sexta-feira, 19 de junho de 2026

a maior injustiça do universo

avaria tão dura
essa cara fechada
com os olhos pesados
postos de avesso à gran e maquiavélica
oposição à vaidade.
desconta os mortos na estrada
os entes deserdados
o varão perdido pelo único dos dignos
e os dentes que eu fui buscar
debaixo do armário
atrás da cama
cobertos de pó e encarnado
como a ideologia que vestes
nas peitaças da casaca
ou o abandono
ou a miséria
as dormidas na rua
o medo que corre nos olhos
duma mãe quando as mentiras
viram inquisitório e ela tem que decidir
entre a cadeia
ou o presente que fez
ou a mioleira espalhada na calçada
dum velho suicida
que dá a aula de como somos todos
por dentro
quando a fé baza
e o calcário chega em queda livre.
tirando isso e a fome
mais a guerra que faz de brinco
nas redes da tua renda
há injustiça mais feia
que esta cara fechada
com os olhos pesados
postos de avesso à gran e maquiavélica
oposição à vaidade?

quarta-feira, 10 de junho de 2026

o sangue na parede

tá ali a marca das balas
que fecharam a porta ou
dito por quem desdisse
ou Deus disse
por quem opõe
o deslize, a forma que trouxe
filhos a casa, formas à lousa
de trezentos anos tresandando
entre os sinos das escolas
e um abalo que pára
a espera na gola de vinte
fulanos 
guardando um corpo.

corpóreo, alem
talvez
tal foi o mal que uma face
fez-se peneira com furos em cabedal.

vem a conversa que a fez
mais essa gente que a conserva
pois passa o trânsito enquanto enlaça
pelos dedos de óleo negro
os pedaços de alcatrão
mais um naco quiçá
duma alma, duma essência
que pode ter ficado num buraco por tapar
e as verbas do novo centro de saúde que se estreia impaciente
sem doentes.

corta-se a fita onde a fera trouxe ao Pai mais um vislumbre da sua informe e voraz sede de quem fomos.

e o sorriso de quem o toma por milénio e meio
dissipa na sua órbita inconsciente
o furo e o sangue
não de balas mas de homens que eu não sei.

que carro se atreve senão um qualquer
com as rodas nas valas
haja coragem: aceno
enquanto as penas dum corpo
a penantes edifica que a tragédia
é pouco mais que a sua memória:
fica dita numa língua que nem existe.

há a tinta de ferro e furos de cimento
mais a vida domingueira que sucede
ao pó que resta quando
pelas chávenas mais os dias
se enterram por virtude
da pura e necessária pulsão de assim ser.