cruzam a esplanada dos
verdadeiros poetas, os da raça
verdadeiros poetas, os da raça
e casta baixa, baixa
de pessoa
mas polidos e versados
poetas.
desbotados, cansados, uns quantos
casados
vivem no canto duma mesa
entre o vidro barato, a cerâmica
gasta e cinzeiros improvisados
tipo copos, potes de nesquick
latas abertas por unhas com crack
ou ganza barata,
à escolha do freguês
escumalha
no mercado das caras.
eu disse que eu disse
que eu disse que eu
disse
que isto é gente rafeira
só esses prestam
para contar o que
nunca se pôde.
passam letras no ódio
frases convertem-se ao culto
de fases lunares e diagramas
tramados
frustração, o que são
tédio mascarado de coragem
bem sei, sou eu
ou nós,
os ditos poetas.
contável, risível, aplicado
verdade com v pequeno
de facto, foto estanque apodrecendo
num passado algures
que ninguém guarda
sem ser a vergonha nostálgica
burra, besta do buraco fervente
insistindo em preservar o que seja
deste lapso inconspícuo duma face
em ruína
fantasiada por gentes bandidas
esquecidas da cegueira da despedida
precoce, de tudo que disse
dos cães raivosos, doentes,
suicídio como um queijo suíço
apodrecendo na dispensa.
fortes são os largos braços
dos atletas que treinam
esta máscara teimosa.