domingo, 28 de setembro de 2025

voto de silêncio domingueiro

calmo e indiferente, dia neutral:
foi assim que anotei esta minha última
folga.
a tarde tranquila, a neurose contida
cheira menos a tabaco, anoitece mais cedo
é o único sítio onde não importam as cores,
aqui - escondido do mundo
num descanso partilhado e merecido por ambos.

silêncio desinspirado, palco perfeito
para encenar as memórias em espaço seguro
o baixo contraste cinzento e amarelo
dá um brilho arrastado às primazias do espírito.
como foi? por onde passa o dedo inquisitivo?
sim, imaterial desejo, és tu
no banco dos réus
um processo sem júri ou juiz
só um pau trespassado por um prego
que anuncia a sentença quando bate na carne.

paga-se o crime com sangue
a vaidade com tempo
língua dobrada e o preço do medo
vazio, estúpido e glutão.

se o amor e a verdade são uma só
frequência originária, de passo certo,
então aqui neste meu limbo arrendado
espreita-se da janela enquanto cruzam a avenida
nem assombrado nem ansioso
impávido ouvindo o roncar de carros velhos
quebro o sigilo proclamando a questão:
onde estarão
nestas caixinhas iluminadas que pontilham 
o horizonte?

o eco responde com palavras soltas
que só se ouvem no espírito:
encontrar o Pai,
lavar a alma
e tornarmo-nos um.

imateriais desejos
estão perdoados
autor
renova a vontade com a voz humilde
deixa que o mistério incorporar-se-á quando
for a hora, quando for de noite
tudo será memória, que vestirás com carinho.
a pena é a essência dos seres
noutra palavra, natureza.

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

aristogatos doutorados

é um principio vazio, esse do eu.

"eu", alguma coisa que desabrocha
contorce-se pelos rugidos bravos
de leões famintos e raivosos
ou o raio que o parta.
tá.
arrisco que sejam mais gatos lambidos
passeando a verbose nas línguas cortadas
em escrivaninhas maciças e desocupadas
não vá o instinto aventurar um trespasse
às tarefas diárias de arrochar ou ciar.
miau, o esplendoroso despertar da consciência
miau, ele dorme nas caixas que adorna de rótulos
miau, são espelhos cromáticos que adoram o sol
as redomas que travam um querer supetão
um rasgo liberto com os dentes no chão.

dessas crias soturna só mesmo a pelagem
que esvoaça no bafo duma voz papagaia
repetem os nomes remetem aos temas
sabido é dizer que se penteiam neles
puxando dos lados revelam a testa
mais o crânio velado de dentes caninos.

II
há dois sem partida? sim

III
é que as partes tornam as dores mais fortes
o sensível mais fundo, a dureza mais dura
a estrutura comanda e a estrutura expõe
o apreço tão sábio dos fortuitos legados
esses ficam pegados à lomba e aos mil
desígnios que guardam para falar de foda
a estética forma de vestir com vernáculo
desabafos rendidos ao querer ancestral.
esta vírgula é um brinco
vírgula
a outra é um chapéu
traço
esse fica nos cílios, agarrado às ramelas
penduricalho nos pêlos à volta do olho.

como passa vaidoso o senhor desta selva
coroado por normas da escola de chicago!

miau miau
faz-se de alcoólatra
foi ao terapeuta
bebeu uma jola
ó filho de baco
atrasou-se um bocado
esqueceu o cachimbo
do filtro moderno 
protege os pulmões
decora os sermões!
sem ar não há voz
sem voz o rugido
se afoga em catarro
e ficaria despido.

miau miau
copo dourado que comanda a boémia
burguesa vontade da fuga de classe
esquece essas bestas que vivem no tasco
derrete-lhes a vista uma bibliografia.

mas o ouro pôs-se omisso
assobiou uma cantiga esquisita
sem instrumentista
a melodia era bela
mas os seus ouvidos de gato
não entendem a prosa
de um passeriforme. 

V
4 perdido, quartos trocados.

desculpe mas o meu cupão diz
que este é meu e não teu... 
sabes ler não sabes?
tá.
podes vir já que eu não trouxe bagagem.

VI
no alto da lua, minha musa, lúgubre e sã!
fita o teu reino de tinta da china
vê o vaza-barris, guardião do espólio
cantando o porteiro aos teus pretendentes
os algarismos casados que não os poetas
os poetas castrados batendo punhetas.
hã?
os algarismos cansados que não são poetas
os ilustres letrados pousando as lunetas.
(perdão).

miau miau miau miau miau
miau miau miau miau miau
miau miau miau miau miau!
miau miau miau miau miau.

miau miau miau miau miau
miau miau miau miau miau.
miau miau miau miau miau
miau miau miau miau miau.

miau miau miau miau miau
miau miau miau miau miau,
miau miau miau miau miau.

miau miau miau miau miau,
miau miau miau miau miau
miau miau miau miau miau!

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

miasmas

dois lixos, dois baldes
o grande
onde vai o podre
do que fica por fazer
e o pequeno
a argamassa dos
lenços sujos com cinzas.

fazem as beatas de larvas
famintas
crescem lá no fundo
caixas de cartão o seu casulo.
chegará a hora
da metamorfose
e todos seremos
repulsivas borboletas.

domingo, 21 de setembro de 2025

os dentes

os meus dentes parecem tão frágeis
quando os sinto na ponta dos dedos
o tacto dum homem
grande - grande
homem
da guerra, que trinca
os ossos tépidos
de carcaças cunhadas pelas presas
de seres maiores
meu homem, meu homem
algures virão 
pelo mundo
as unhas, os dentes
as botas que bates
serão o fim
de alguém.

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

trotineta

trotineta com vagar pela avenida
vê as vistas, os cães puxando as trelas
de senhorinhas viúvas que já só amam
animais e revistas de fofocas,
os pombos e os melros, mais ariscos,
o reflexo da costa que adorna
a água poluída, para tainhas 
e a populaça corajosa,
homens de chapéu com as suas canas
içadas lá ao longe onde os raios
pescam com eles.

jovens de preto e branco em bando
ziguezagueiam na calçada com os seus
sincopados passos
e os sonoros severos
duma atitude que não lhes cabe na camisa
larga que os cobre até aos joelhos.
um fulano de bigode e uns óculos quadrados
segue atrás meio aos gritos,
uma conversa zangada que atazana
a vizinhança, corta os roncos
das motas e o pulsar dum pistão elétrico
o plástico aos chocalhos, um zumbido
de poste em poste
de poste em poste.

sobe uma rua esburacada 
não cai, mas treme,
vê-se na vitrine duma loja fechada:
um semblante aforme por baixo
duma carapaça de tecido.
endireita-se, espreita, faz-se rijo
contornando os obstáculos
não tem hora de chegada
não tem compromisso que o preocupe
só segue trotinetando
por esse seu barreiro velho
até que os minutos se esgotem.
de quem?
ou os dele 
ou os da trotineta.

terça-feira, 26 de agosto de 2025

fica escrito um ano novo

mesmo que eu fique por aqui
mesmo que não reste uma memória
da pessoa que por sua sombra
me dê um qualquer tipo de nome
fique nobre, ralé, cego, enfermo, sem termo,
e o meu caro se perca 
ou se encontre, feliz e com um vigor
daqueles que nunca vi quando 
as ruas eram as nossas donzelas fortunas
quando havia um homem e um assobio
umas palavras doces que dão força
fé
alguma vontade que diga
amor verdadeiro
paisagem doce e dourada
quando tudo voar com o fumo
duma ampulheta grave e baça
mesmo assim
lembrar-me-ei duma escolha justa
quando demos as mãos
em silêncio, pelo menos
tanto quanto posso:
tu no veneno, prestes a explodir,
e algures numa rua que dava
para a igreja
ouvimos a chuva, o filho dos olhos
azuis.
sabíamos sim, um dia a chuva
cairá
pois somos tudo,
persiste-se assim
sendo nada.

dizias coisas
como mérito e justiça
que tontice
disse eu
a música tomou o lugar
das palavras baratas
o ano seguiu mais um passo
não houve um festejo
nem panelas, nem fogos
ouvimos a voz
de lobisomens e cães
o poeta 
a guitarra
um carro velho enguiçado
e a chuva
lá fora
cá dentro, num rosto pálido,
dois.

fizemos uma corrida
dormiste, brincaste
e mesmo que o mundo
me coma por dentro
por fora
ou por quem me tomas
nunca isso 
volta atrás.

nunca se perde um segundo
tá tudo bem
não pensemos mais nisso.

conto rapace

uma carcaça tende
a centrar muitas atenções...
é tão rica, já ali
pronta e sem esforço
uma bênção, bem,
talvez não para o coitado
que a carregou em vida.

seres menores, rastejantes
roedores, aspirantes,
as crias de um grande tirano
os cangaceiros nos seus bandos
uma presa faminta e sem escolha
comendo por igual
o sol quente e o chão seco.
as moscas cortam o silêncio astuto
de uma fauna cautelosa.

havendo corpo, há ciclo.
pergunto:
que amparo tem um ciclo
com as línguas nas veias
mais os dentes nos ossos 
e as larvas nas costas 
e as garras de fora? 
os olhos descrevem
o horizonte rolando, vai-se enchendo de pó
faz um energético lanche.

há o controlo em equipa
e a força da besta
de quando em quando só o grito 
supera o peso dos números
ou o tamanho dos músculos
ou o influir da cultura.

barulho
sedimentos
adrenalina
a energia constante
é uma atração para todos.

pergunto:
há camaradagem aqui?
não. 

famílias, colegas:
o amoral imperativo
do bem-estar e bem-fazer.

a carne desperta mas não traz piedade
a vontade comanda mas não traz piedade
a competitividade esgota a piedade
numa savana - que inútil
aqui e agora...
também não traz piedade.

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

castigo

hoje fiquei de castigo
dormi no sofá,
não abri a porta,
zelando sempre pelo meu
bem estar.

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

lembranças e abraços

gasto um serão nesta neblina
que me faz esquecer alguma coisa
claro, não me lembro.

fugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugistefugiste

mudança de estação com uma década (2015-2025)

o barulho penitente do rádio popular
chicoteia com a batida o típico
transeunte do espaço público/social,
só.

custa o arrasto em forma
com pano sonoro meio festa
meio produto,
só.

mas sempre pode a prole nossa
ver o cinza e o castanho,
a atmosfera,
quando a rosa se maquilha
e pondera
de que paletes frias ou mornas
se alaranja o outono que chega.

o domínio cinético prova
a prevalência visual face ao resto.

um controlo expressivo
reafirma a norma e eu
por assim ser
consumo na contracorrente o perigo
das cores sazonais.

terça-feira, 19 de agosto de 2025

para um querer indomável, castrando os letrados

desejam-se vivas, esbeltas
à mão de cultivar
uma salva de palmas
sem ambição masculina.

eu quero-te
como desejo que o civismo
se foda.
espreita no teu nome:
morte às regras da estrada.

é bárbaro esse passo forasteiro
acerca-se
corre os dedos no cabelo suado.

o bicho, um homem
a face animal
virtudes da fala
jogando à terra o seu sal.

mal-mal-maldita
os seus ciclos enfermos
cessam
quando admites
(tão crasso):
pequeno pecado, forçado
arrastando à gruta
chama o seu nome
e escuta a virtude.

domingo, 17 de agosto de 2025

coincidência

há uma esplanada de esquina
faz de bom esconderijo
com um duplo às secas, a dita
baça e acostumada, já da casa.
agora é raro que aqui venha sozinho
não sei bem, talvez não queira
perder cara, tão tapada
pois bem, vim na mesma, sem razão
na mesma na mesma
sem razão
dirão, diria, digamos
- pois pois -
deixem-me explicar o espaço
são quase nove da noite
que no verão quer dizer pouco
bem sei
é de dia, um traço cinzento, 
uma abébia das nuvens.
o calor tem sido insuportável
mas hoje não
então rodei
rodei
rodei
e pus-me aqui.
à volta há um gradeamento
que dá para umas escadas que descem 
o café à esquerda
e mesmo de frente um restaurante
all you can eat, sushi, mui meu amigo
dos que já sabem o meu pedido meu amigo
assentem na rua os empregados
os estafetas
meus amigos
sem abacate e um sake quente
meus amigos.
todas as suas janelas corridas numa só parede
dão mesmo para esta praceta
e quando se come observam-se
velhos nas mesas brancas
raramente eu 
quando calha, com amigos
hoje não.
tudo que existe descrito
eles comendo os temakis
eu na água baça de balão
nada invulgar até aqui.
quis o destino fazer uma partida
muito amigável
lamento a sentimentalidade
mas a roda joga e o resultado
sendo em essência um absurdo cómico
parece - é - d'inspiração superior
que o Pai existe e como deve:
rege a tragédia 
rege a comédia
um balanço perfeito 
só Ele o domina.
das cinco janelas estavam eles no meio
que cinemático, centrado:
um homem que me odeia
uma mulher que me deseja
ou desejava, desejou, aparentou
e que eu estimo, até onde se pode
quando se trata da imprudência 
dum libido com o tanque cheio.
senti uma franja e uma brisa
não fiz caso
é a moda, são os tempos
e paguei o bagaço duplo 
desmascarado e julgando
refletia
era a nita
essa mesmo,  a bendita, a esquiva
e esquecida
nita
mais o seu adamante e infiel pretendente
com a brisa e uma fita
ambos perceberam mais ou menos ao mesmo tempo
ele jogou-se de lado
ela permaneceu mas franziu, remexeu em silêncio.
eis uma nota dissonante:
eu!
ri-me em qwerty e pensei
"vieram vós ao meu abrigo
que culpa tenho de morar
neste bairro?"

tentarei descreve-los
entre olhares de lado
às escondidas.
vocês sabem, esta madame
evita-me
como a doença mortal
como a peste
como a hora de ponta no pragal
e ele odeia-me
portanto espreitar é um desafio
mui mui perigoso
estamos de frente afinal...
consegui!
ela está de azul e tem a franja rasgada
por um tufo fino cruzando-lhe os olhos
é um penteado muito digno
apraz, nostálgico pois claro
o que não parte daquilo que já foi?

foram ver um rapper
foram uma cena banal
por um preço surreal
dot fode-os
dirá diria
direi
diriam:
não são 
como nós
como noés 
espera, perdi-me
há ali outra pessoa?
parece não parece?
foda-se o verso
agora tenho que perceber
se está ali alguém
eles não são como nós
né chat - digo, leitores?
o homem é tão pequeno que não percebo
se são mesmo eles
cheira a charros
atrás de mim estão dois brothers
mais um mano
a fumar na berma pendurado nas grades
clareza, levantaram-se
ele é mais alto que ela
isso não é coerente dado que já estive ombro a ombro
com ambos e ele é minúsculo
portanto...
foi tudo uma ilusão
um balão vazio.
eles pagaram, saíram
perscrutaram o pátio
viraram costas e seguiram pela rua do hospital.
eu fui buscar outro copo
fiquei sem bateria.

terça-feira, 5 de agosto de 2025

alimentação saudável é a chave

eu tenho uma cenoura
laranja e branca
tipo palha ou um incenso
vai com frango assado
na air-fryer
reduzida em vinho tinto
louro, umas moedas
muita pimenta
o truque da sopa instantânea
que me ensinou a necromante
um café, bebe dois
haha - é um meme
a água turva, o ouro
alquimista com os seus
frascos diversos
feijão e couscous
pilhas de sal, caldo 
mais um reluzente fio de azeite.

toca o bardo só para um
jantar na companhia
de moldavos, ucranianos
russos, magrebinos, turcos
e outros primos, nem sei.

eu tinha uma cenoura
foi-se com o fumo
agora sobram migalhas
raspadas do fundo da caixa
devia fisgar cada uma
em linhas de pesca
pendurá-las às orelhas
assim seguia com vontade
para qualquer lado.

bom proveito luan!

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

in memoriam: pip

digam lá que sou previsível, banal
"fala sempre do mesmo, o otário"
pois pois pois pois
quando o dia resolve jogar uns raios
pelas brechas da persiana
quantos são os pensamentos variados
esses, persistem e seguem, ignoras os ruins
pois pois pois
são três ou quatro
pois
e tu só um.

é a falta que faz um descendente
o grito jurássico
a beleza intemporal.

o teu passarinho azul provavelmente está
morto
ou a caminho
e dá para medir qual estava mais doente
afinal
eu e o meu
tu e o teu
cá estão
lendo versos tortos do vício
da água baça,
aquela
nunca lhe coube.
foi-se em graça
iremos de arrasto.

todas as vistas neste blog são esperança que sejas tu
eu nem sei
quem és mesmo?

quarta-feira, 30 de julho de 2025

tara marada, cara tapada, rara e tábua rasa - eis uma crina que se pode puxar

estarei errado?
pelas cores que batem nas janelas
mais as tocas de onde saem
os bichos da seda que te fizeram
esse vestido cortado?
serei culpado
pela mecânica ascendência?
foi ela que nos fez
sabes?
é só como eu me sinto
uma mão que toca no peito
errado - errado - errado
e dança à volta como se
fossem carícias a um cavalo
com os pêlos ao vento 
só sonhos mendigos
franja tingida
lamento
ficam os versos primeiros
à ms. gruesome fin dois
burro - burro - burro
vais comer coices nos cornos
é mais que sabido.