quarta-feira, 14 de agosto de 2024

comarcão fechado
na consciência
faz caso de pouco
faz caos de tudo.

russo e sangrento do nariz
pode ser um acidente ou quiçá
mero produto da consequência.

comarcas da atitude
delimitam as fronteiras
do que podes e do que deves
e podes tudo
mas deves tudo
e achando que obrigas a nada
fizeste uma fita fútil
perdendo tudo pelo rumo.

tudo ou nada
a linha sempre iscada
cana chumbada
pega nesse isqueiro
mete o isco em chama
queimamos todos
e nada melhor que isso
para outro par como tu.

acendi um charuto na boca do vulcão
serei prudente ou serei brasão
para os meus entes chegados e amigos
doutro lado
vendo vista amarela
um olhar cruzado 
extinto
dando azo à vontade
justificando a crença
alimentando o irreal
da tua consciência criativa.

PESSOA

hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha

*cackle**cackle**cackle*
~
pu ku ku ku 

*cackle**cackle**cackle**cackle*

hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahah

se aquilo que te apraz, aquilo que gostas
tanto quanto te sacia a vontade da razão
é a realidade pura e pura, dura e crua
então o que esperas? flores e rosas?
danças e cantigas?
tudo como dantes?
seu BURRO
seu BURRO
seu URSO

sim, veste-te de prudente e de crescido
fazendo contas graúdo
semblante que transpira
alguma coisa contra a luz
de frente, 
seu BURRO
aguardente
bagaço
grappa
cachaça
água da vontade que adormeces
no lidar de seres capaz,
um rapaz.

o Senhor guardou-te de tantas dores
sem dizer nada, como um bom vizinho
e mesmo assim foste à revelia
achando que controlas mais que o destino
URSO
BURRO
PESSOA
IDIOTA!

vinho
conhaque
e cachaça

a cruz leve no peito
um farol do consciente
só Ele
da tua equipa
mas BURRO
como és e serás sempre
afogas a voz que te guarda
a única de verdade
na merda em que chafurdas
o que faz sentido,
equivales a um porco sem raça
seu URSO.

hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha

um paraíso barato, montado
para que te rendas
um episódio 3 de 8
certo, nem sequer aguentarias
até ao final do enredo
principalmente se não tomares prudência
na única luz que te guia.
um BURRO
incapaz
seguindo cenouras em forma
de palavras, seios e fortunas.

*cackle**cackle*

preso, destruindo o domicílio
a especialidade do ANIMAL
que és e serás pra sempre.
só não cortas
porque não podes
o que faz de persistir
mais medo do que coragem.

hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha

ÉS INCOMPETENTE!

jogos olímpicos

a competitividade do momento
acende antes da razão
como uma tocha em movimento
correndo toda uma nação.

um elefante tem respeito
pássaros sentem solidão
castores dormem em leito feito
macaco sabe ser ladrão.

se pelo plano inteiro vivem
e fazemos todos meio igual
no que difere o homem 
do teu clássico animal?
é uma ideia que não passa,
é a busca pela Graça
ou a estafa duma caça.
o supor. o louvor. 
o suor.

terça-feira, 13 de agosto de 2024

o pombo

vi as 3 mainás, outra vez.
uma mirando a paisagem de cima
pequeno posto de vigia
invisível aos nossos olhos
ignorantes
que confundem ex-amigos
com outros mais raros, os ariscos
que não se deixaram enganar.

os outros dois atacavam com cautela
o pequeno jardim que circundava
o cafézinho onde eu estava. 
iam elas saltitando ágeis, vocal gentil, 
notas agudas pela brisa
e o chefinho do alto
a passar as coordenadas.

emborquei metade do meu copo
e saquei-lhes uma fotografia
mas na típica brutalidade primata
que me ata a este corpo
afugentei sem surpresas o trio
e na imagem só verde, lixo e sujo.

tomei o resto da bebida desapontado.

no fim, rodeado só de conterrâneos, 
pronto e prestes a voltar para a redoma de fumo,
surge o pombo, o ex-amigo,
e pousa junto à minha mesa, quase como se soubesse
que em mim guardo toda a culpa da nossa espécie.
olhou-me com o meu olho, o único,
como se soubesse.
reparei que as mainás fitavam do topo do prédio ao lado
atentas, talvez curiosas,
talvez perdoando com a Verdade entre as penas,
como se soubessem.
o pombo, junto às minhas pernas,
coxeando levemente
enquanto ciscava as brechas no granito
percebeu que o contemplava
e olhou-me novamente nos olhos
com uma ternura tão injusta
que me partiu o coração
e eu comecei a chorar 
atrás dos óculos escuros.

depois eu vim pra casa
meio entorpecido
e chorei enquanto escrevia, outra vez.
e chorei enquanto escrevia, outra vez.
e chorei enquanto escrevia, outra vez.
e chorei enquanto escrevia, outra vez.
e chorei enquanto escrevia, outra vez.
e chorei enquanto escrevia, outra vez.
e chorei enquanto escrevia, outra vez.
e chorei enquanto escrevia, outra vez.
e chorei enquanto escrevia, outra vez.


segunda-feira, 12 de agosto de 2024

suplemento ou metadona

77 zin, 1 snu 
sin, sim, metido como a mentira
entre a língua e a gengiva, omisso
uma lomba no bigode que pica
como um tumor aparente 
se a vista for peregrina
ou de rapina.

é sempre difícil saber quando
pois assimilas na alma as cicatrizes
que criaste para esse aspecto duro
de impressionar meretrizes com orgulho,
win, é preciso às vezes
mas mais na alma que nos dentes.
divago, entre campos, como sempre.

adornos que pesam no corpo
engolidos à força com esforço,
adorno que pesa no espírito
trocando a Graça por graça
fritando lentamente a massa
cinzenta 
como uma folha em branco reciclada.

terça-feira, 6 de agosto de 2024

uuuuh! na chuva, em língua estranha

uhhhhhhhh!
cego por teu vislumbre
encantando, quem és?
o teu nome?
vestido liso, leve, que promessa
que sois. entregue aos andares
do teu passo que nem sei
culpo o nei, coitado,
e sonho contigo.
hmm.
passos de dança, líquido
esquecer é substância.

tudo o mesmo,
luta contra um verso,
tudo o mesmo
com o medo que escrevo
mas distante nada temo.
sabe lá, sabes lá.

quão raro, não?
saber ao que se vai,
o que se quer, ao que se arrisca
um plano claro e amplo como o céu
posto nos teus olhos.
quadrados mais reais o que vi
em planos térreos e certos
táteis como o chão e o pão e um não
escondido no silêncio e algures aqui.

esculpi-te numa foto
trato artesão, de autor
só tu linha reta
entre agora e o querer
e entre saber e querer.
certo, como nunca
e incerto, como sempre.

cigarros sensações francesas

ena! eis que se apresenta uma princesa
de corcel preparado muito acima do meu bode,
da minha ride e do meu bote,
como um filme que te ensina a ser
e a sonhar e a crer.
nunca seria um dean
óbvio,
mas há tanto dean neste plano
tanto dean meio zarolho e mundano,
tanta distância em um poema...
mano
acende.

parte um pra vós
parte dois para nós
sonho grande largo e arrojado
filhos da serra e do sado
um momento educado, prefeito
como um chefe doutra nação
atrás no sítio e no tempo.

ena! já te ias perdendo
falhou-te o vislumbre
e o sábio saber do teu instinto?
um sonho russo ilustrado,
bem sei, é difícil crer.

estouros lançados são de um nível
o mesmo som. volume igual e
puxa tudo, sem frequência que o absolva.
o fim posto, todos sabem,
tu sabes,
então é um negativo inútil.
assim vou maquinando a narrativa
pondo folgas em trincas presas
que eu sei ou creio ou quero
que sigam soltas e frouxas.
caem-te as plumas e a frágil idade,
optimista, penso eu,
se for mais sábio saberei mais,
penso eu.
tantos o fizeram
tantos o farão.
espero.

sonoplastia francesa, uma franja que reluz
ao sol, sensibilidade que sei tanto
e tão bem
o humilde toque e o não-saber 
frustrado, cansado,
esforçado em crescer,
bem capaz,
uma senhora.

nota a inversão intencional neste verso
meta-meta como quem és e como quem sois.

ena! atreve-te
atreve-te a usar nome, malandro
debaixo da luz e debaixo do pranto
tapado encarcerado em décadas
passadas e cansadas.

são duas linhas 
simples e não recíprocas
interruptor que não te atreves
a acender.
tão fácil: oi
desiste agora,
há um futuro tão largo aqui.
interruptor que não te atreves.
pois. 
quão profundo o querer?

és o george? vale tudo.
claro que não.
contudo
nos sonhos, de olhos abertos,
segredos expostos, pecados tratados,
vale tudo? 
pensa bem.
pois,
acho que sim.

há um texto por nascer
e embrionário aqui fica
sobre nós e sobre vós,
na superfície. mistura-se bem
com o que quero e o que acho
sobre ti.
 nunca saberias e sabendo
nunca admitirias.
sol posto que me fita
azul como nunca foi.

quinta-feira, 1 de agosto de 2024

entrecampos

entrecampos, saudoso colega
lembrei-me de ti e dos nossos bons tempos
com a fita fazendo de trela, aventurando-se pelas andanças capitais,
hoje concretamente, como tu
também me encontro algures entre campos.

um lado sinuoso, promissor e distante
fotogramas estilosos, talvez a tua essência
céu azul, tu azul, verde por dentro,
promessas de um outono doce.

o outro pelas costas, fama e proveito
de memórias do campo grande, da escola de 17
feito num oito, encarnado invertido
esboços de um sorriso pendurado no casco de um barril.

três mainás rasam-me no ombro
e isso faz-me feliz.
que bom saber que confiam em mim
tão próximo, neles confio. estão a transitar
de um campo para o outro.
o meu passarinho azul inveja e pia
e o eco do cristal ressoa-me pelo espírito,
só ele sabe. 

no vale do agora, eu
ternamente a lembrar-me de um auge passado
considerando seguir os meus amigos plumados
como um ímpeto da vontade 
debaixo da mesa maquinando uma ideia
que compete mais acima do que letras.
no vale do agora vejo de baixo
debaixo da sombra das nuvens e de árvores centenárias
que sombreiam lá do alto dos dois campos.

a noite aproxima-se, o silêncio contamina
é um fumo pesado, espalhando-se no chão cérceo
ao nível da vista. 
o vento assobia no vale, os pinhões vão caindo 
aos estouros, uma urgência ou apenas
o eterno prenúncio do maduro.
é hora de escolher.

campo pequeno, para a alma
campo grande, pela glória
entrecampos, até sempre.

segunda-feira, 29 de julho de 2024

no game november

chamam-lhe late game, fim de jogo
quando estás perto da última forma, de um boss final
a tua roupagem é a mais rara, os itens imprescindíveis,
só a poção máxima e mais forte serve.
a música fica mais tensa, as sombras ocupam-se do mapa
e encontras-te num corredor pomposo e texturado
porta trancada na retaguarda, só caminho adiante.

escondido do outro lado um mistério, ou a capa
o propósito de toda a jorna
aquilo a que chamam clímax
ou atividades de substituição (existencial)
dependendo de que lado da cela se pensa.

codificado, jogador preparado
reparas num transeunte atípico, em contramão
suspendes a descrença pois sabes onde estamos.
planeado, jogador preparado
espada e escudo, uma sombra de leste
esperando correr as letras miudinhas.
pinturas de artificio cobrem o negro que os vitrais escondem.
começa a cena e não acaba o jogo,
como? chamam-lhe pós-final.
mete mais um crédito e volta a tentar.

sexta-feira, 26 de julho de 2024

sequóia e um homem-animal

sequóias matutinas filtrando a luz
com a facilidade típica dum ente experiente
fitando-nos formigas efémeras, rodando impertinente
e com ares de importância. 
guarda o caminho a cruz
nas costas e adiante, cobrindo o largo do percurso
que persistimos com raízes
ligeiras, na superfície.

enrolado num bosque, perdido da vista
dos meus amigos milenares
esqueço-me que ares respiro,
por isso pousei a boina num ramo
e dediquei-a ao Senhor. mas esqueci-me.
sem testemunhas, sem ser o Próprio,
guardando-a em segredo numa casca da Sua idade,
eis um saber que transita da alma
e escapa na mata.

o fiel fumo duma fogueira
acendida no instinto de guardar uma vista
ou assombrar o grotesco. 
o corpo feito num tronco
adormeces.
amanhã estarás de volta a bosques mais familiares,
apartado do juízo, entregue à adolescência
do sintético que te cobre o jazigo. 

quarta-feira, 24 de julho de 2024

trato / a imagem / a sombra

imagem, o que é é como é
o que não, quiçá se faça ou quiçá desista
abdicando de pretensões de estética
no domínio da sua realização.
palpitam-se nas menções
a malvada regra aritmética
que até nas contas do seu desígnio
expressa senhor e servente 
pela fita das juízas, segundos com milénios,
e o resto da cavalaria do estamos a tentar.

proporções, com ou sem rácio,
atento ao suposto
perdido por momentos.
serenos, montadores ativos se debruçam
nos contos sem tento
do terço incolor
mostrando com o peito cheio de gosto
as magias do esforço e da dor.

rege piamente a origem
a causa primordial
eu cansado, imaginem,
tentando ir além do bem e do mal. 

terça-feira, 23 de julho de 2024

observação mercenária.

envelhecemos devagar, com tempo.
torna a manhã a apresentar-se, às vezes um castigo
repetidamente a embaraçar-nos 
no nosso vulnerável e profundo descanso.
ena, umas rajadas sonoras
e uns raios de luz,
ena. o nascer do sol, igual
a si e igual a sempre.
nem um feijão brota em um dia.

a observação:
aqui temos uma unidade tão pequena mas tão ampla
infelizmente sliced e diced
entre inúmeros calendários
partindo tartes das minhas tardes
mas saciando nenhum propósito.
talvez ter tempo para isso, se isso. para mim.
no geral? não saberia dizer.
ou orgulho no ofício, ou na perícia,
uma fé convicta, com traços de ilusão
qualquer que seja, observa-se claramente
o tempo acorrentado, mutilado, 
desfigurado nas regras que o mantinham isento.





segunda-feira, 22 de julho de 2024

um tapete a penantes é um pássaro morto e espezinhado no chão, dizimado pelo trânsito da gente que o pôs a viver naquele sítio, que, tratando o evento de forma totalmente indiferente, age como se nada fosse. 

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eu não consigo categorizar o meu email
como saberia categorizar espécies?
delego a quem sabe ou ao tempo
se ninguém sabe.

___


três versos em contra-relógio
retilíneo, grafia antiga
perdi o momento e o resto de um beijo.

___

altivo, amigo dos mendigos
certo dos perigos
arisco ou arrisco?

___

ontem assumi que ia parar
e há dias, meses,
gastos no inventário vencem ao geist.

_________

quarta-feira, 17 de julho de 2024

vosso professor
não porque sabe mais,
nem porque tem talento
com ensinar ou educar
só sabe dizer o suposto a horas certas, 
e as impressionantes mentes absorvem o escarrar
duma consciência veloz
que não se atreve a ser boa
porque tem medo e passou frio.
desculpa de merda.

sapato furado como a moral
do malandro que se prega capaz,
um rapaz, mas se afiambra
sem espécie nem género
da conveniência predileta
que para tantos é luxo
e para outros desperdício.

queria mesmo que fosses livre.
queria mesmo que fosse livre.
subir custa,
custa o ego e tempo 
mas recuperas no purgatório,
sem pressas.
sem pressa.
nanananananana nanana nana.

e o teu amor mano?
(mana)
essas convicções fortes?
tem poder
mas...
e essas convicções fortes?
tá liberto do desejo
e... as convicções fortes?
hmm
nanananananana nanana nana!
nanananananana nanana nana!
nanananananana nanana nana!
nanananananana nanana nana!

falando honesto e despido da estrutura fácil de esconder coisas entre versos
e estrofes
teehee

a sério, falando honesto e despido da estrutura fácil de esconder coisas entre versos e estrofes, eis uma descrição correcta do que se está a passar: são oito e dez (notem, até nas horas!). o espírito está estupidamente energizado do cocktail sagrado (alcool destilado seja como for + mendigos e altivos). uma coluna chunga tão velha como este blog toca a mesma playlist de sempre: um misto de personagens, que variam no gosto musical mas regressam com frequência aos mesmos ciclos e sons. uma paisagem que já teve sol por hoje, mas agora esconde-se na privacidade duma renda algures. sempre de olho na janela, vendo-os (vendo-vos?) a desenvolver a sua história, o seu conto. os passarinhos doces que aprazem sensibilidades incompreensíveis adornam a vista. uma ventoinha mecânica abafa janela fora os ares parados da memória e do escapismo, e voltas a bater tecla. 

aqui tens,
~um poema. 
uma confissão, 
um mistério.
um professor destinado
a engarnar-se que sabe o que não faz.

terça-feira, 16 de julho de 2024

para depois do sol maior

pões-te K.O. num instante
considerando que até nas luzes de estar por ti
pareces-te mais franco e mais afiado
e capaz, um rapaz.

a narrativa apresenta-se bem, até
é o que é mas pinta-la bem, usted
fazes quê? ré?
pois, não.

tu tututu tu tu tutututu
sendo vilão em sol maior
bem-aventurado pelas andanças
que dizes tão cínicas,
considerações atípicas dos membros do plenário
acho eu, quer dizer, 
talvez faça sentido na vossa casa
assim, agora, no centenário duma causa
justa
em todo o caso
vilão em sol maior
tu tututu tu tu tutututu
tu tututu tu tu tutututu
tu tututu tu tu tutututu
so criminal.

um gajo mau
ou um gajo podre?
lanchinhos em cascais
pra ∞

um gajo tão podre, tão raro
que seja tão óbvio, tão claro
com goticúlas que lhe pulvilham 
o rosto sem esforço
e realçam o pálido
da face magra,
coitado.

tu tututu tu tu tutututu