acordei semi-nu
com o tabaco no bolso
a barba no chão
os sacos rasgados só servem de lixo
com buracos na mesa
e as calças no lixo
nos sacos rasgados.
levantei a cabeça alvejado na testa
por um feixe que escapa da persiana automática
uma fresta pequena
que ganha forma com as nuvens de fumo.
tomei nota dos telegramas da mente:
sonhei com comida
pois acordo com fome
sonhei com partilha
pois acordo egoísta
sonhei com adultos
pois acordo em criança
sonhei com a fama
pois acordo invisível
dói-me a cabeça
pois devo tê-la perdido.
toca o despertador quatro vezes
insistem só três
bom dia
diz o alarme vencido por fim
e uma só.
redijo o texto, lavo o rosto
sinal ou lembrete duma jorna conforme
há chávenas em toda a parte
mais um prato na pia
acho que limpo lambido
não tenho a certeza.
vitamina
efervescente
um comprimido para as dores
outro para a mente
placebo
placebo
descrendo
eu percebo.
tenho planos na agenda
vesti-me depressa
as calças se fodam
só me topam o busto
confiro a minha lista
porquê? porque sim
descarto as lembranças
tem mesmo que ser
jogo o cu na cadeira
e devolvo o bom dia.