sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

em nome da glória superior

ei-los, em terços e tenras
passadas com passo aprontado
um dois três 
um dois três
um dois trêêêes
eh segue a fortuna o cordeiro
~um climax apresentado por sentidos
que procuram querenças, pertenças
dança em três terços
um
dois
três
violinos por ti, vós, a voz
pertence a quem foi
quê?~
um
dois
três
um
dois
três
um
dois
três
um
dois
três
ei-lo, no compasso fagulha
as voltas que deu pelos átrios em pedra que não soube nomear
quando a casta 
i m p 
e r 
i a 
l
desmontada, mercurial,
o que são palavras ou registos de como sente
a alma casta imprudente e casada

SALVA-TE JÁ IRMÃO DUMA PRECE MAL-DIZIDA
DEUS: DA TUA EQUIPA
EU NÃO
EU NÃO
EU NÃO
~EU TANTAS VEZES NÃO
SALVA-TE.

UUUUUUUUUUUH
    
espalhado pelo corredor branco exométrico cheio de quinas
são a pátria que vacilas quando esquivas a pertença
da tua alma fecunda e infantíl
e Deus disse: pertences
mas o silêncio calou essa voz 
persiste
um,
dois e três
e três
quais mentes, serpentes
são as tuas bengalas que pedem 
submissão completa.

quis quem Sabe
Maior
nosso Pai
tabefe
tabefe
sofre
como quem
não merece
é o papel que compete a quem vai
pela beleza do som que transcende
um dois três
os violinos do nosso apogeu
dirão mera material
de sentir o sentimento
mas eu nesta ruína de pessoa e de casa e de tudo que pode ser alguém
direi, com certeza,
É LINDO
É JESUS
CRISTO
QUE ME SALVA
UM SOM LINDO E OBSCENO DA VONTADE BOA
QUE TE QUIS
ELE
e quem sabe
senão Ele?

um dois e três
foram as notas que salvaram a volição malvada
absolvida nas folgas da rija e pertinente
força da abstenção.

mas Deus, se me permitem, se me permite, se eu devo
ama
e alguém quer
que esse amor importe.

nada seria mais óbvio que um descarte numa corda
rudimentar contra todas as premissas que pedem
a pertença que nunca foi
e tanto provaste que o pescoço deve resistir
às mágoas d'além
mas Ele sabe
qu'és um mártir.


notas do matrimónio imaginário

há uma pequena forma
de pessoa, de carne e osso e alma
virou fumaça
resta um espectro carnudo e nojento
que sem ti não faz sentido.

pela intemporal certeza probabilística

cheira a óleo e as teias estão podres
jogadas ao chão pelo vizinho de cima
o tal que canta a cantiga que já se sabes
e por sabes é pois sei, de sentimento
de pertença nos abrigos que sobram
para quem resta em carne e osso
sem fantasma, a dita força
cómica, fantástica, tombada nos pés
de andanças juvenis que cremos 
até que não - até que não sabes
até que não foi mesmo
até que não - até quando esgotam
opções/ambições, sádico
até que não, estica o ão
e ladramos pelo prédio
os animais, o autor
a vizinhança
os pútridos restos de quem não resta
nem leva legado.

sê honesto
dá abertura aos rasgos de pessoa
quando transborda uma pessoa
mas tentas que se afogue 

EI
desejo dum sinistro
um milagre explosivo e destrutivo
daqueles que fecham ciclos
mesozócio, moço, és antropoceno
matéria feita e forma de tudo que toca
és o regime que detestas.

e quem é que reza?
por ti?
pois.

cheira o ar enclausurado da redoma que toma
a semelhança dum semblante, busto cru
restos inférteis de memória que só conta
quando botas a conta na escala da tua corda
... como canta, infinita. como cantas, sem anéis
cantam as tombas: EI
é o teu sonho
ou não?

direi quando calhar.
paz,
nomeada pela hora da reta da meta
compete-me a descrita simbólica e impossível
porque, em honestidade, eu espero que tu
não vejas, não tenhas, não sintas
tudo que possa ser negado mais que três vezes.

o discurso neutro da natureza passa-me pelos dedos quando as vontades expiram e as rezas se ficam e o silêncio da involução declara:
EI~
não é o teu papel.

não é não foi não será não é problema meu
olha
tentem.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

filho da puta

rasgos arriscam uma luz
que degenera
pois eu, falando de mim espero
que narciso impere
e me coma a alma.

filho
duma
grande grande 
GRANDE
puta:
um autor,
feito de cabos e restos
que cobrem as conchas
que mal se ouvem.

500 anos

este ardor é uma folga fácil
temperada e castrada, mão cheia de nada
ágil e bem-dizente
das pedras calcadas, das vezes zero zera 
zera zeradas, cúmplices emprestadas
batendo a pedra contra a sola sola
sola si bem recalcada!
há olhos mecânicos mal escritos que 
fazem força com moças que mal te querem
bem-me-quer, quem? bem, nem quem te veja
ou observe as quentes forças dum forte além
pois dizes é caça
e dizer certo dos contos e verbos
é um saint hubert
um quê?
um dedo na tecla dois erros deva
talvez regra ou 'tão um fecho
ecler.

corno que Deus te amarre à cama com força capaz,
que faça andar...
ahhhhhhhhhhhhh!
és forte confia apraz apraz apraz um passo com paz.

benze
antes que vá a vela acesa
de 4 gerações a última que se apague
contas a métrica - sóóó te restam sóis
queeee
queeee se apagam quando pões
as mãos à mortalha que te cobre a cara
fechada dum cinzento apegado
à cama à calma à alma dum fardo
que te preza
mas o ódio reina.
reina.
sem medo, ele impera.

és a ruína duma calma vasta que apaga
é a calma casta que apaga
dizendo obrigado, bendita de olhos rasgados
mais vezes perdido, uma ânsia
de bênção
circunflexo cruxifixo prega e rejeitas
grita mais
a DITA MALDITA vontade que s'apoquenta
doutra forma:
morre
acaba
espera pela hora e não relincha
há letras que pedem e covas que estão à espreita.

um dia será o dia que será o herói um menino
agora, bora, pequenos âmbitos
os teus pares são órgãos desertados
lazarentos reinam nos teus cuidados.

na penumbra caminham as formas
com quem perduras...

é a reta da meta
a minha e a tua
a tua e a minha
carcaça.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

greve e breve, fardas de griso

é que hoje eu não faço nada!

chispem as fuças acalentadas daqui
pra fora e pro raio que as parta
em ódio requentado e ao de leve,
suave, de barba feita e pronta
para a noite
para a hora da sesta
para uma sexta fria
encasacada dos pés às orelhas
eu digo:
xôôôôô como quem vai a ceuta
diz que há sombra à espreita
e siga siga
siga daqui a nunca.

eu tenho dois casacos
mas muitas mais amarras,
as varas contracenam
condizem c'as mis taras,
dizem "boas
com quem se veste aqui?"
respondo entredentes
que n'importe qui.

falar é parar
parar é o quê?
vê vê vê
xamã e um colibri.

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

meta...

eu sei que estás aí
sabes que 
 estou aqui
    logo deixo
     no fim da linha
         o   desafio:                                                                                            
                                                                                            cerra os olhos contra a luz.

torto porque doutra forma
        não consigo.

conquistar uma nação

no combate
boa parte do que me cabe
faz-se um disfarce comedido
ou
a alquímica forma de ser difuso.

os dias do fim serão negros
caindo o véu antes da hora
ou
então não.

depende da gana
da fé dobrada
da travessia quando os punhos cerram
e tremes e tremes
e olhas nos olhos
e vês um novo brilho.

sobre a guerra e a paz não posso mais
a vitória não conta 
com tanto silêncio,
josefina.

rasguei a seda fina da tua face
com os arames que prendem
o chapéu e a farda.

estoura uma ordem de andadura
e as cores se cruzam
no compasso dessa marcha
evidência dum lance de passagem,
uma bênção que perdura.

agora depende
do sigilo
do querer da providência
de tomar punho com certeza
um olho no topo
intuindo das fileiras.

comando é a consequência
do intemporal - 
considerações da guarida, junto
ao canhão, à cruz, ao caderno
com os rascunhos de um nome
que não ousas recitar.

fica escondido na folha
de rebordo escarlate
que ele saiu da sua torre
com bafo a homem suado
e dentro do suspiro 
ficou telegrafado
em 21 letras, que é 12 ao contrário:
je veux que tu m'embrasses.

ancorado nessa crença
domou o mundo.

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

sobre ser um piadolas

esboças um radiante
branco sorriso
estampado pelo desígnio funesto
que cá te trouxe.
a quem cabe tanta sorte?
desce cantarolando pelos tascos
uma estátua milenar
mais os trapos que são levados
pelo vento.

rotina rodada, capaz e nada enfermo

é que vamos ou melhor dizendo
vou com os braços arregaçados por
este passeio calcetado com vislumbres
ou grandes ares, arretado por minúcia
tuta-e-meia, curioso e certo do destino
mas
nunca do caminho, seria muito muito
arrogante.

denuncia-se pelas folgas na palavra
conhecido e gritado da varanda desejo
encarnado com verde cintilante, o veneno
oculto oculto oculto -
três vezes é revel.

modera maninho
modera no caminho
porque todos os dedos
fogem das letras
que soletram um nome
sabido.

é sabido e conhecido
os membros e a forç-
alto!
alguém que importa
está à porta.

domingo, 16 de novembro de 2025

sobre a cegueira das flores // erva-da-fortuna

arrimei, aconteceu
percebi com discrição 
por outras palavras, com reserva
espera, prestando da visão
e dum fato da minha igualha, deleito
duas vezes meu
um teu, grosso e farto
cortado com forragem seca
vulgo palha e muita erva.

descobrir não é saber mas sim chegar e
cheguei, chegaste, chegaram
quem? além
além do cacém
dum sopro sincopado cruzando
a via láctea, que memória:
os fotogramas contra a luz
são prova que o bicho existe
ora terréu, ora fértil.

só me pus a mexer
e esguichou uma purulenta e emotiva
música que me enche a cabeça
algures sóbrio, agora não.
perdoa-me a quebra
hoje tive tempo e pensei
no jogo, na regra e na rega.

o som não hidrata, não trata
só reitera.
o texto não hidrata, não trata
só reitera.
a voz não hidrata, não trata
só reitera.
a imagem não hidrata, não trata
só reitera.
tu não?
acho que não.

uma corte de corpos celestiais
orbita em quatro por quarto, simples,
uma desculpa qualquer para fazer uso
da matéria.

assim se fez a ordem nova
que fechou os olhos das flores
que secaram nos meus poros.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

quadras por dezembro

os anjos no caminho do parque
dançando à volta da cidade
entre as folhas das árvores
aquelas que te faziam alergia.

são brancos como a neve
noutros lados mais altos
e são translúcidos por dentro
mas que natal tão secular.

pessoas pastam nas calçadas
olham para baixo conformadas
espreitam os reflexos nas montras
de clínicas que só sanam carapaças.

cheira a pão e frituras
depois a fumo e castanhas
na noite perfumes, casacos
e por fim a fumo novamente.

o oculista tem umas luzes
pontuando mais um ponto
e brilhando sem fronteiras 
esbatendo a percepção.

venha a ginja, mão erguida
pelos que estão de partida
por muitos anos de vida
pela memória imbuída.

um abraço a todos e boas festas do barreiro.

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

passageiro

essa adolescente forma que assumes
quando caem os panos e é a sombra
dum canto recôndito que faz de vera
vera vera vérité, visível e reconhecida
dos que testam e tentam, arrisco
um tento desse V
grande e descomprometido V
gra-an-an-de
assumiste, vestiste, foste, exprimido
e sem palavras, o perfil do ideal
contra luzes difusas de postes
mal estacionados, manos no parque
fumegam das janelas, é fácil perceber.

assim que topas e topas, como quem sabe
ai, ei-los, em duplas, em plena noite
falam, são quem são
é difícil ser-se mais lindo que um
par honesto parado num canto.

mas sou um gajo
gaja.

mas sou um mano
mana.

e a seda pálida foi um palco,
um cénico espanto que diria
eis
digna e jovem, eterna 
sem percalços fraterna, um rasgo honesto
duma mana, mano
d'alguém da vida, e é alguém
mano
os filmes vivem sobretudo nestas pavimentadas
a contragosto passeatas
o cristalizar do instante
mana
mas eu sou um gajo
mana
peço que te lembres desse real
carnívoro
animal e carcomido de fome e querenças
mana
ciente, presente
como todos.

há dúvidas - naturalmente
pisados pelo castigo dos contos não existirem
e o cínico, os ascos da nossa volição
constantemente insistem em oscilar entre
um sonho
um sono
um apreço pela simpática
bondade de ser ou estar
presente.

fugaz ser-se um...
filho - comandado
uma pergunta:
pai do seu verso
pai do querer honesto
desdém pela fácil forma como
dilatam essa cura, curva
apertada
volvendo-se nos seus poros e pêlos
de expressar o que não conta
os códigos - tão fáceis
lábios trancados
desafiando o verbo entre pontes
que cruzar seria
tirar a magia.

porque eu sou um gajo
mana
nos meus sonhos
somos um
nunca seria, nunca creria. 

terça-feira, 11 de novembro de 2025

gládio: fachada e vislumbre

clarks na mesa. castanho no branco
os óculos mais a hora, acessórios 
por quem me tomas.

soberanos contornos estampados na farda
do leite materno ao leito que expira.
fecundidade, predileto alvo nos peitos dos homens
predadores a monte, predadores a norte
predadores que rasgam os trevos da sorte.

conflito por um adorno trocado
trocadilho trocado
muito bem, que engraçado.

pouco mais é que um passeio por pertences
aqueles por quem me tomas
teimarei tantas vezes
em subtrair-me no lar.

isento e nu
mestre ancião
coberto de tinta
deitado no chão.

ira contra o oponente!

faz-se a máscara armadura
os sapatos batidos, o relógio folgado
cobre-se a vista de riscos dentados
segue:
o embate, gáudio golias
contra o incauto autor
palavreado manso e tirano
mano-a-mano.

temo, treme o disfarce
humano por dentro
e não uma bruta besta errante das caves.

volta por fora

rodam rodam na rotunda
a toda a hora em toda a parte
ela nunca se mexe
nem eu
nem os dias desta gente.

melindra
vendo os olhos na via
é periferia - vai a vida
vagando vertebrada
uma voz viúva 
volta à rotina.

vestes a verme forma
da vaidade.

olhos na estrada
roda roda como um vórtice
na cidade.