quinta-feira, 17 de outubro de 2024

quarta-feira, 16 de outubro de 2024

arroio

nunca estudei artes
nem na escola nem fora
a faculdade fi-la porque não tinha desculpa para não trabalhar
e certamente não seriam artes uma justificação digna 
para fugir da loja da minha mãe.

essas memórias, o fim da adolescência e a entrada
nos jovens e magros vintes, bons tempos
e agora com demarco e the smiths
posso largar um sorriso escondido 
já que abandonei essas pretensões
d'artista.

nessa época os arroianos pareciam-me fascinantes
ainda parecem, cínico que sou não posso negar,
mas o encanto dessa altura ainda brilha
quando remanescente a rádio passa
uma memória feliz.

onde estudei jogávamos as facas no mato
para o texugo não nos atormentar o juízo
nunca as usávamos para nada mas dava
uma certa sensação de segurança
quando voltava para casa no inverno
com as minhas amigas de fato de treino.

esse primeiro contacto com a porta da arroio
foi como se o carnaval tivesse antes sido
toda a minha juventude, vestido de preto
e calçado dado pelos amigos que fiz
tornando-me num jovem do ócio e da vida. 
vocês, os exóticos, confiantes na roupa barata
que nunca precisou ser, os cabelos coloridos,
os rapazes judeus, caracóis sem vergonha
fumando as pontas uns dos outros que compravam
em avulso no café à porta da escola
e nem professores vos impediam
de fazer lixo e correr os riscos e tentar nos erros
que a idade exigia. 
era difícil enxergar do fundo do rio
como brilhavam as vossas cores, xadrezadas, 
e a purpurina colada na cara de meninas
atrevidas em palavras e vislumbres.

há uma neblina pura que quando inspiramos
limpa os pulmões e torna a vista mais clara.
são os céus a dizer que sim, essa nostalgia
aconteceu e foi bonita como foi. 
como foi.





para um amigo de mau gosto

tu não consegues ver um filme decente
nem que to atirem à testa.
sentado no coxim já gasto
pernas peludas esparramadas
em cima do tapete da tua avó:
venha daí mais uma tarte de palhaços,
em diversidade representados,
aos trambolhões e risadas mortas
que eu chamo de branqueamento e tu 
maquilhas de cultura.
não, isso não é nenhum paris, texas
só lhe sujas o nome
é uma cagada de festival, ainda quente
e direita para os catálogos
de quem não sente os impulsos da volição.

afastei-me um bocado e apanhei ar
sei que debaixo dos poucos cabelos
que ainda te cobrem o cocuruto
há algo sentido, genuíno em bondade
e eu descanso e fumo um cigarro
e outro cigarro
para ter calma e não te partir
essa tv gigante que só passa merda.
somos amigos mas fazes-me beber para ser mais fácil.

a voz da pretensão aproveita a quebra:

então estimado, cansado? pois, essa gente de carne e osso guarda pouco debaixo do chapéu. se te mexesses nem que fosse por um dia estarias na linha do mais alto gabarito

aquelas secas francesas? os nites mudos
na noite, a pobreza bibelots para pensadores
e trafulhas com sorte? cruzes, tirem-me
desse filme e do outro. vou mas é ler
baudelaire e ver south park.

prendas às pombas

amável pombinha, deixei-te umas sementes
no parapeito da janela do quarto.
sois vista e sou todo ouvidos
penas que quebram águas e nos adornam 
capacetes, 
queria uma em glória e grande
para escrevinhar cantigas de traição e saudade
assim da asa, cinzenta e branca como as noites
das cidades a norte.
a tua dieta de pão e lixo é o trato
que te demos mas não o que sonhamos,
nem agora nem nunca. a tua nuca reluz
contra o sol o roxo real, o verde da vida
e as gotas que persistem.

cão de caça e cão de raça
endividado em tacanhez 
cheirando pombinhas amáveis
uma de cada vez.


entre as margens

entre a margem sul do tejo
e a margem norte do sado
e entre sotaques pindéricos 
e pronúncias emprestadas do algarve
e de évora. os pescadores nos bairros velhos
entre retornados e recém-chegados.

da capital não há mais a explicar
que toda a arte nesta casa ou é sobre ela
ou é contra ela. 
a ambição refém dum complexo cobarde
o tal medo de crescer, de mexer com mais
do que as patetices da vila, novela quase milenar.
a autenticidade joga contra o pesar da idade
dizem, o real está no chão, nos caminhos
de terra já batidos, postos em fotos
a preto e branco. 
e como foram batidos? pergunto.
não foram caras lisas
fugidas da herdade da família
seja a sua ou a de onde trabalhavam?
se o que vale é puxar carroças e carpir
então deixem-me puxar carroças e carpir
com a pobreza à espreita num denso matagal
e os animais no quintal balindo pela vedação
que os protege da sua mente simples de rebanho.
não foi para isso que trabalhámos.
muito bem, sabe-se que não,
vergar a mola é produto do desejo
e o que compele no esforço é uma promessa
de descanso, a paragem idílica no comboio
da meia-idade. agora sentados à porta da estação
olham para as margens de dois rios e deixam-se estar
no tal real que construíram. a norte as gentes grandes
e a sul as raízes. 

essas paisagens são embustes, uma máscara
para que não se percam em como cruzaram o mar a nado
e na costa, exaustos, perceberam que estavam onde partiram
e o cimento todo que cresceu entretanto
foram malandrices de gentes grandes
fazendo crer que as terras são um esforço
e não a matriz das mentes sãs. 



terça-feira, 15 de outubro de 2024

sobre o amor

o leitor mais assíduo mandou-me ler poesia moderna
especialmente bukowski, que somos parecidos ou assim
pelo menos nas entradas e nas minúsculas, na falta
de consideração pelos inícios sem grandeza.
tá certo, fui à livraria mais conhecida da cidade
verdade que com duplo sentido
e fui buscar uma colecção sobre amor.
uma das funcionárias surgiu-me há dias num sonho bonito
de riquezas e conquistas, amizades verdadeiras
e o triunfo do espírito perante a carne fraca, unidas
no afeto das pessoas adultas que o censor
prontamente avançou-me da vista.
quando acordei foi como se tivesse acontecido
não me queixo
e com isso consigo afogar o que resta da outra donzela
e não me queixo novamente.
lendo o subtexto que criei na minha cabeça infantil e tapada
fiquei uma semana em cafés a tomar, dando tudo,
mas a coragem bebe-se e depois desaparece
como disse um bom amigo
então fiz questão de lá ir, todo narso, e seja o que
Deus quiser.
ela não estava, que miséria.
atendeu-me um tipo magrinho de óculos mas pouco observador
e trouxe-me o livro
e mais outro que eu pedi de instinto
e ainda me cobrou euro e meio pelo saco de papel.

então, sobre os poemas do homem:
no amor encontrei de tudo, 
conas e mamas
e pixas e sexo selvagem e cus
e pessoas a lambê-los,
paixões de esplanada, gastas numa noite
expirando num duche quente.
não vejo as semelhanças
até porque eu nasci quando ele morreu
mais ou menos
mas estou convicto que preciso duma pessoa deste género
para me ajudar a conquistar uma próxima amante nos meus sonhos.
a última vi-a deitada numa cama, em tronco nu
pedindo pouco mais que uma vida honesta
e por favor livra-me de trabalhar.

diário do barreiro I

que bem se dorme sem o peso dos sonhos
os olhos trancados a sete charros, que beleza
o silêncio e o tempo a passar rápido.
mais cinco minutos, levanto-me à pressa
e nem tenho ramelas.
divindades descansaram nesta noite
a raiva trocou com a moleza.
desperto e com a espada à cinta
vejo pela janela um buraco finalmente tapado:
acabaram as obras, boas notícias.


segunda-feira, 14 de outubro de 2024

culpados em par, dois tipos de medo: passado (eu) e futuro (tu)

estou mais forte. 
mais violento
suspeito
porque os conflitos desbocam à minha beira
com a facilidade dum fogo que pega uma acendalha.
esta energia suada cansa e um dia
sei que se vai esgotar, 
no escuro e num estouro.
ganhos escorços escondidos
atrás de tumbas que plantastes cá dentro,
seus asnos.
perdoo-vos e perdoem-me, dos céus
ou das profundezas do oceano que nos separa.

um que não é igual aos outros,
quando fiz tremer o chão em ira
que apontei para cima
vi-os aos montes suspirando
pela minha perda de paciência
mas um, apenas um, símbolo de muitos
colou à ocasião a sua paixão devoradora
e oculta, e largou um feixe de olhares
endiabrados, coitado, e o nó dos dedos 
a estalar, uma raiva que esvoaçou
com um sorriso.
a ocasião foi péssima e abri uma linha
nas dívidas da essência, não cobra juros
mas nunca fica salda. é o preço justo
que paguei mais de mil vezes,
o meu corpo servindo de testemunha.

sabes, 
suspeito que algo aqui está um pouco mal contado.
o sininho debaixo das mantas está a tocar
e o que toca entende mais do que eu destas coisas.
porque fazer fintas quando se tratava dum impulso?
cheira-me ao velho osso contra osso
a tua vontade contra a minha
submissão a regra.
eu detesto esses joguinhos
nunca fui de competir
nem com pares nem com primos,
só fantasmas de tempos primordiais
e mesmo assim sou meiguinho.
agora lanças-me a mão em braço-de-ferro
e quanto mais penso mais sentido faz
eu nem tenho nada a ver com isso
mas vejo-me frente a frente, pendurado
num balcão de madeira, a optar
por ser cobarde ou aceder
às tentações da tua esburacada auto-estima.

eia que estourou o cano novamente

mais uma obra nesta rua
um remendo ao serviço mal resolvido
da semana passada. estouraram os canos
e com um chuvisco ligeiro o quarteirão 
ficou uma lagoa castanha, até aos tornozelos.
o primeiro dia passou e deixaram a poça secar
e hoje resolveram finalmente intervir. 
os velhotes do bairro agradecem o espetáculo grátis
e circundam o buraco que os funcionários da câmara
fizeram mesmo à frente da minha casa. vejo-os da janela,
os bonés sujos de tinta misturados num mar de lama
e cabeças grisalhas. 
já la vão quase 12 horas e ainda ouço as máquinas
brrrr brrrr brrr - escavando e transportando terra
de um lado para o outro. 
parece que o arranjo não é final, só um refeito
no remendo anterior, desta vez conforme o que deveria ter sido.

infelizmente para mim, e para si leitor,
neste bairro não vejo as putas na beira da estrada
nem vejo o crime violento de perto, nem tiros
e as escassas sirenes fugindo do trânsito
são muitas vezes para acudir uma idosa solitária
e não mirabolantes perseguições à hollywood.
aqui não moram carros rápidos nem palmeiras
cobrindo a costa em recortes cénicos
nem atores ou ministros, pessoas públicas de
"respeito".
não é subúrbio nem é metrópole, 
a classe média não morre de tédio
os pobres não moram nos pátios.
só um bairro assim, assim-assim
velho e devagar, adultos cansados
e um comércio local dos tempos da expo,
as crianças jogam descalças em campos
sujos mas gradeados. a bebida faz mais vítimas
do que o crack. armas nem em sonhos. 
vemos os buracos no chão
e os enguiçados procedimentos da junta
a descobrir o asfalto
que cobre esta terra cansada.

domingo, 13 de outubro de 2024

qual é o logro?
tenho plantas mortas no jardim
os planos que fiz, uma grande estufa
uma hortinha diversa e composta
em cada raiz a resposta
dos enigmas que fome traz.
o esforço e a disciplina
a rega persistente, preparada 
com rigor em tábuas de cálculo
as flores, as calorias e as ervinhas miúdas.
parecia tudo um grande encanto
persistindo nas jornas em canto brando
um assobio suave que se mistura
com o piar dos primos plumados
que se sentam nos galhos da cerca viva.
parecer não é ser
e nenhum dos legumes brotou
e as flores negaram-se a pôr cor
nas suas pétalas, que só apodreciam
em caules magrinhos.
o dia das plantas mortas.
não há rega que salve um corpo
furado, considerei uma queimada
mas temo pela cerca
que dá forma ao quintal.
terei que medir, uma a uma
de joelhos na terra com uma lupa
e assim farei, cobrindo a fuça
com a mão ao alto, testando
o equilíbrio em dificuldade desde novo
como as folhas que tombam com o peso
para o lado, quebrando aquilo que a nutre.
é uma coima do mau presságio
ou do mau ofício, trabalho mal feito.

resta um campo doente
e uma estrutura em vidro
vazia, que arrelia o tento
em torna-la numa chuva de cacos,
diamantes afiados eutanasiando
os suplícios do pasto, amarelo e de gravilha.


resolvido em acordo e consenso

assinemos um acordo a três tempos
cobrindo as promessas a curto, médio
e longo termo, as causas da discórdia
resolvidas em trâmites legalistas mui oficiosos
e jurisprudentes na cartilha de responsáveis.
das partes, multilaterais em mesa posta
um andar com janelas sem cortinas
que escondam observadores de causa neutra
a estirpe passiva.

toca a campainha do escritório
toca novamente pelas madeiras antigas
e a louça de oferta de tratados do passado.
toca uma terceira vez, impaciente
homens grisalhos sobem as escadas que guincham
com as passadas da trupe do direito,
sapateando em couro e graxa pelos séculos
desta casa disfarçada entre as outras.

entram quatro homens, o sr. procurador
descalçou-se à porta, sente-se capitão
e sentou-se na poltrona mais perto do bar
serviu-se um cocktail e apressou o jantar
os secretários permaneceram em pé
guardando as portas com malinhas
também em couro e graxa, mas escuras
e vincadas. cheira a tabaco e a velho.
discutiremos o futuro, disse um deles
e escrevinhou a data e o número da ata
no canto de um bloco com papel químico
a tirar o duplicado como se fazia antigamente.

ninguém quer que seja grave, mas com essas
poses de réu em pleno crime, a ocasião
que o permite, é difícil negar. as impressões
unânimes fazem um juízo simples, 
poderás pagar em dedicatórias e sendo
outro, ou então um exílio voluntário
que resolva a disputa em silêncio.
é o meu papel, esse?
o duplicado, sim.
entendo, sendo assim que escolha resta
a letra da lei é pesada e cobre-se de pele
dura e calejada, as palmas sujas 
de tinta preta, é o que dá
escrever com pena.
resolvido o atrito, garante a paz que faz a noite
ser calma e descanso,
garante o próspero conforto da liderança de amanhã
e salva o futuro da espécie
o arauto da ordem das causas nobres.

tiradas as notas, vestimos as capas
e descemos as escadas
e descemos as escadas
e descemos as escadas
e descemos as escadas
e descemos as escadas

juventude em desfile observa o mundo à volta

uma lembrança na janela
a marcha arrasta-se na areia
e virámos costas ao seu hino
e marchamos com ela.
somos crianças de cravo ao bolso
a fortuna no conto e o discurso no ponto
heranças do vislumbre inocente
e filhos de um pai doente.
torna, vira a esquina
desce rumo ao mar,
o atlântico e as gaivotas
de bicos serrados, aprendendo
a honesta forma de roubar
às mãos que as domaram.
marchamos, chinelos e botas
e na bolsa os pesos
que um braço fino não aguenta.
nem espingarda nem vício
só as bolhas de sabão
que fogem da janela em direção à marcha
e seguem viagem muito adiante
por ruas sem corpo onde não há caminhar.
por isso marchamos
ali e dali para fora.



caderno diário

é por demais evidente que esse caderno foi forjado
esses rabiscos nojentos, caligrafia asquerosa
pisando as linhas como os passos de um drogado
ora sobe, contorce-se toda em espasmos, cai
ora desaparece numa linha fina e tímida
um murmurar qualquer ou uma língua antiga
e expira, como o passado em tábuas de argila.
esse espelho não informa a minha imagem.

também fui aluno e fiz desenhos e coisas
malvadas das palavras e das imagens que trazem
mas isso era uma capa falsa e pouco humana
reiterando um sentimento infantil sobre pessoas
popular, poético, dramático, empurrado aos rapazinhos
e às miúdas pelas artes que aplaudem as massas
que vimos pela primeira vez. a redoma, um insecto,
a injustiça entre as patas, titulares referências 
de letras densas e difíceis, segredo que o poço
guarda na negra névoa que esconde o seu fim.

filho de professoras e de olhos alheios
mete pressa nesse pulso, fogo nessa página
mancha-a de vinho suor e cinzas
imagina seres amplo e claro, as meninas
cantando esta estrofe em coro, sorrisos
que a máquina agora pode curar
ou empurrar para uma lista de compras
e nos teus consumos singelos
revelas a farsa que escreveu o caderno.

sexta-feira, 11 de outubro de 2024

treinos de pessoa colectiva

o gabinete das faces rápidas, lisas
mentiras são precisas na horas perdidas
ou anos ou vidas, tentativas furtivas
de encaixe perfeito, maestro da banda
o indicador a batuta, a seleção a batota
e um coração omisso, de fininho crescendo
por habitats habitados pelos prazeres da carne
e a preguiça do hábito. um escape uma fuga
as grandes canções desta tuga.

o poeta chato exprime, dialético e complexo
e em engate, aguarde, palavras afónicas
e sujeitos oníricos, baratos como uma roleta
no dicionário, o vernáculo arcaico
servindo-lhe de manta que tapa a punheta
tipo saldos no armário, a vergonha escondida
como sois meu caro, um mosaico
obscuro nos versos e em stanzas
mas no mundinho vivido pedindo-me ganzas
na cave, às escuras, o som comandante
e o poeta aspirante compondo com mão firme e dura
uma tortura invulgar no timbre da nossa cultura.

é um desgosto platónico, sim
em mim nem uma nota de ódio, sério
a descendência forasteira e os vizinhos do prédio
com o disfarce de culto não falamos de assédio
mas sim de um fidalgo cortês e régio.
o nobre: sexo e pagão e um milhão
de franjinhas, as amigas um texto
rindo com o sacrilégio, a morte na cauda
guardam amoras no cesto.

percebo, a apanha e a orquestra
os teus tons de palestra em casa mansa
fomos todos criança, a lição é clara
se olharmos para isto não como rutura
ao invés uma aula de literatura
e tu com postura, no gabinete
a tal pista, fazendo um minete
para mandar na revista.
não me publica, não me critica
um celebrado involuntário
maior que o artista invertebrado.

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

frente fria sacode-me os pêlos

bons ares do norte
trazem a chuva e um fresco puro
duro na espinha como um pé descalço
em azulejo.
a tempestade bate os seus tambores 
os caninos afrouxam, é hora
do retorno à toca. o conforto
da matilha, equipa mais que família
ordeira em funções e acções
lobos que fundam cidades
que fundam reinos
que fundam impérios
que reinam os céus
e as ruínas que deixam
quando extinguem o eixo
da sua virtude.
os donos do agora, canídeos 
e os de ontem, corvídeos
uma conta sem soma zero
o preço do seu sucesso
enterrado na neve que trazem
os ares do norte.