medimos quem passa
ao metro
e ao kilo
como se revela numa linha
pelos tons no discurso
pelo macio nas bochechas
as fragâncias que carrega
os olhares que desperta
ao ritmo do relógio
com os tostões no bolso
se é fortuna do acaso
se o trabalho compensa
pelos vícios que trouxe a jorna
quantos escudeiros comanda
se comanda
ou é comandado
e por quem
os riscos na carroçaria
e sobretudo se o negro dos olhos
jogam conforme os nossos instintos
secretos e encobertos debaixo
da mesa.
é bem mais que 0 1 2 3 >
tudo isto pra vos dizer, queridos leitores,
bem sei que neste game of life
os critérios são menos lineares
do que no famoso game of life
apesar do desfecho ser mais harmonioso
comparando aos aleatórios contornos
do game of life
quando rabiscas sem conhecimento prévio.
n a
d a f u n
c i
o
m a
n a s f a z e
a s m o s q u e
s i m
h
a h
a ha
ha .
perdoem-me, eu acho engraçado
mas prossigo:
clarificada esta essencial norma
da vida camponesa que levamos
espero que compreendam
o que vos quero contar nesta minha
teoria da observação.
entre os cavalos derrotados
pelo entendimento da percepção
cultiva-se uma hostilidade
contra as manadas que se formam
sem esforço
quando pinga a bênção dos céus
que maximiza um atributo
com frequência nunca só.
é a lei natural
os potros seguem os grandes
os grandes seguem seus pares
e os outros, bem
esses conspiram nas casas fechadas
do outro lado do mapa.
o equilíbrio está
em haver espaço para todos
não havendo...
somem no branco zero
de não-ser.
este é um tema muito sensível
porque só por articular
estas palavras no vazio
acabo por dar o meu input
que pode singrar
ou afundar.
depende das minhas
supramencionadas medidas.
contudo, sinto alguma
responsabilidade vaidosa
dentro do meu estável sistema
de jogar uma corda para os lados
e intermediar esta vida
de cavalos e burros.
dou um exemplo
num serão de sexta-feira
as peças muito bem posicionadas
rumo ao cíclico término
eu com o meu cavalo-alfa
cruzando a via a trote
saímos da nave
ora logo na primeira interacção
3, pimbas, vai sair
alguma coisa daqui
sem expectativas porque conheço bem
o game desta life
e eu não sendo nenhum casanova
só contava com o óbvio.
pois bem, foi o camelo magro
a beber a primeira água
por água digo olhar.
eia! nada
matemático.
encheu-me o ego até cá acima
no entanto
foi também uma lição
para mim (não muito)
e para o meu amigo
ele não perde nada
que farto disto já anda
cansado do algoritmo como vai
até suspeito que apraz às vezes
estes tortos desfechos.
como o leitor já terá percebido
isto não é nem gabarolice
nem coitadinho de mim
o que eu disse
logo na primeira estrofe
é uma pequena parte
da chave invisível
e aplica-se aos amores
às entrevistas
às sondagens nas ruas
à impressão que fica
aos descontos na bica
etc
às vezes não há chance
e perdes logo de início
mas assumindo que somos todos
mais ou menos parte
da normaleza
podemos contar que seremos
médios que chegue
para pelo menos tentar
no jogo da vida
ninguém sabe a regra
então mais vale assumir
que há mais sorte
do que o que desígnio implica.
cavalo
camelo
burro
são 3 também!