domingo, 6 de julho de 2025

janela e as negas

quis, velho, bomba
ta-ta-ta tá tudo conforme
com forma, contudo
um furo nos canos
mais a luva dos fornos
mucho love
e um tiro nos cornos
ne ne nega negativo.

cinzas na ponta
rir da afronta, que belo
cabelo 
solto à janela
na ponte.
onde vais?
hmm???

faz calor
aqui e aí
outra fotografia
dos bons tempos.

sábado, 5 de julho de 2025

takeaway para dois

ei, espectro dum lapso 
ficas pelas cinzas que me cobrem
as coxas rasgadas dum abre e fecha
da cambraia, da nóia, pois bem
é de pousar a tocha, sem risco
não assombra, acolhe
aponta a verdade que escolhe
e tornamo-nos um.

de onde vem amar
o mal aspecto?
espectro, espectro
por minha virtude, vetada
characina combinada, tinge
a barriga, os poros sujos de soja
do óleo da mota, mundo barato e pequeno
dormindo apenas, é bom quando trazem
a marmita
emoções pelo contrário
não cabem na caixa dum glovo.

viu, vem da velação
vem da vela de onde vens
não se a tira, vistaço
e bem vivida
vem das vestes da verderena.

como é prudente o fantasma
duma sesta culpada,
valeu.

sexta-feira, 13 de junho de 2025

perdi novamente

perdi novamente, no fim
(como se houvesse outra altura),
prudente desfecho que abranda
quando segundos e terceiros
disputam um rasgo de glória.


sorrirá a sorte grande, um sinal
maldito
sonhos dum destino
mórbido e bem articulado.

traz-me a carta, vira 
no seu jazigo
um rei e o seu trunfo.

farto
que flop.

quarta-feira, 11 de junho de 2025

a música de hoje num par de cartas, uma delas versada

27 compete-me decorar
é uma péssima mão
mas são os teus últimos dígitos
quando mos deste em vergonha
querendo ir além.

cabem na memória
algarismos baratos, branqueados por pertença
que não cabe num ego esguio
arqueado, apetrechado de flanelas
camisas, que baril
ser velho e tentável por finos
fios negros que se abanam
com toques frágeis.

ouvi-te a murmurar como querias
ser um pescoço em mãos dadas
ao descontrolo
e joguei, meti tudo na mesa
enquanto 
guardo nada na manga.

serás vitória impossível
um pote caro
ao ego, risível.

quinta-feira, 5 de junho de 2025

a paciência que ferve estorva

cachaça sem graça apruma o cachaço
mais letras pacatas de mira na prosa
sem cosa sem casa sem nostra
que bosta
pois baste, batuque
tipo sinais de fumo
o grumo embaçado
pois tussa essa vossa
ruína anilar.

pousei
por pousado
mais deixe-se estar
é o traço incolor
atrás do altar
depondo a certeza que traz uma trave
oculta e central
o mar nos degraus.

o ódio com a fera
febril no resguardo
humedece a madeira de lenha nativa
altiva e serena, melódico embate
coxeia certeira, serpentes no braço.

nesse embuste fraterno cabe a alma
e a calma e alma e a calma
a alma e a calma a alma
e a lama
e um toque hediondo
a dizer dorme já.

quarta-feira, 4 de junho de 2025

quem e quem? a invisível passagem do tempo

meu cota, meu brother,
matéria é barata
honesta é a verdade.

minha rocha, virtude
a herdade da terra
é honesta a matéria.

edição fulgurante:
derruba-se o título e derruba-se o ponto
a impermanência pode ser reescrita.

pós-punk

eis se fica uma cinza
batida e apática em folhas
ou versos dotados
indolor mas rasgada 
perfídia nas costas
abraçadas por finos fios
de plástico barato e sem sal.

condiz a trama com a causa
coisa cousada, sem jorna poente
descrente que explique o branco
poisado entre a membrana 
nervosa em tempos de terno
e a mira fina, de soslaio
convida o diabo
ao tempo engajado.

ele toca.
ele dança.
ele faz por ficar.

que sois
além dum timbre fecundo
sombreando as orelhas?

traga valente
outra por cima
o regime cansado
sem horizonte que o ponha.

puxa o cabelo
dobrando as orelhas
estalam com músculos 
nas juntas convexas:
o controlo
qual salamandra 
que mos ponha esticados.

dura
persiste
aguenta piscando
certa se esbate,
desejando-te um grave
problema.

jaz um suspiro
mouco lembrete
guardado entre peles
de suor e saliva.

terça-feira, 3 de junho de 2025

mais um chapéu

assusta um filho
assusta um ente
quando se fecham os olhos
todos se lembram quem foi.

é o papel do arrivista
é tratado na hora
por resmelenga poesia 
sentado numa caçamba
o caminho se segue
seja qual for a forma.

tudo padece 
num bater caramelo
contra um impresso cinzeiro 
feito para o 3d.

quem és
senão um luto hostil
cheio de alguma coisa
tipo um ego
que te carrega essa vontade
de ser ouvido (ou olvido).

morre nos anos noventa
morre agora que resta
augúrio, ser puro
cinismo e fachada.

beata virtude
um nome de engate,
como o podre que és.

elegia pelo whatsapp

olá
desculpa a surpresa
o teu avô
morreu
como se soubesse
aguardar por um adeus
que trouxeste sem aviso,
como este.
desculpa.
desculpa?

e o silêncio pairou por uns momentos
enquanto o movimento da cidade
persistia sem remorsos.

um homem bom e explorado
tratado de baixo por quem sabia
a sua honesta forma de jogar
riqueza e querença pelo abismo
tudo tentos com veneno enleado
longe do caminho de Cristo.

foi como um qualquer
pombo da cidade
em forma tão grande
esbelta vivência e humilde
tal o quer
quem não o guarda, 
só espera.

o caminho do céu é fácil
para seu getur.

foi preciso um adeus
que quiçá me compete
ou coube, à justa
na sanita sem assento
na água dum pote de barro
que ficou num cantinho
guardado por década e meia.
por desgosto e espera
com fraquezas no braço
lembranças fraternas
duma casta a que pertenço.

seu getur, bom homem
jogou ao largo desbocado
as lembranças semi-lambidas
por cães que ladravam quando passava
uma motriz vontade, pacífica
e mineira, senhora da obra
sem pertença que a justifique.

pingou com um toque
a vibração como todas
que te dizem a morte
o adeus
pós-atlântico
enquanto quebrava a voz do meu pai
num audio cruel
sendo mais forte do que pode.

é a verdade do passo que traz
a virulenta vontade, violenta,
partir a boca aos transeuntes
olhos carregados
do diabo dourado
negado em vida
pelo homem.

fica um fúnebre, supetão
planta apodrecendo contra
a vontade cantada entre tantas
orações de joelhos.
o poder e o ser, cobiçando
alguma forma de sentir o
sol torto dos filhos do sul.

bule, bule bule!
foi o papel que compete
aos teus genes
assim como se nota
quando a voz trancada duma
mensagem diz apenas
beleza,
é triste
mas beleza.

batem os pés
o vagar dissolvido
na fria resposta
dum neto longe.

e o silêncio pairou por uns momentos
enquanto o movimento da cidade
persistia sem remorsos
rodei eu mais as crianças
que jogavam à bola
tomei juízo
tranquei a cara
como o pai
na hora da cruz.

Ele recebe de mãos abertas
alguém bendito
em canção e solitude
os restos pútridos
do outro lado do
atlântico
penam a liberta
alma que a casa torna.

quarta-feira, 28 de maio de 2025

repouso confiante

a pátria, a causa,
tudo em tumbas
que silêncio de vizinho!

esse bafo sonsinho
picado e moribundo
oxigena-me as raízes.

bem te disse bem te quis.

olho para cima
nuvens por fim
roçando nesta copa.

terça-feira, 27 de maio de 2025

calçada portuguesa

tive uma visão, foi boa
e montei-me nela certo e seguro
que por muito que esfumasse
de incertas fianças
seria o rumo dum homem barato
rodando por bermas
que ligam aldeias.

vislumbres da minha classe
batendo sola contra calçadas
que são buracos e um resto de pedra
dum corpo qualquer.

é um verso bagaceiro
é um terno bulir
um qualquer tremer
quando bate um passo neste
rijo e calcado chão pálido
vai e vai e vão
pela beirada contrária.

há uma chave tilintando
entre almada e o barreiro
ferrugenta, rija e cívica
na sua peculiar força,
sapateando entre outras contagens
baratas, sem peso,
ditos órgãos de algibeira.

caindo da graça
a prudência da noção
nas asas de mosquinhas
mortas no húmido duma
sagres mini, composta de corpos
os mesmos doutra alma
as ditas que se ficam,
os calceteiros doutra era.

e eu sonhando com amor verdadeiro,
burro burro burro.

um braço forte
como diriam na torre de vigia
e uma mão amiga.

de onde és
se não deste chão que te segue
atlântico adentro?

quarta-feira, 21 de maio de 2025

fio de poste

no telhado das calçadas
fios negros às camadas
são pousio para a vigia
muito atenta neste dia.

permanecendo na certa e banal forma
de fulminar os desgostos em letras
de máquina,
assim opera o vosso estimado
poeta.

rimas, benditas
quantas fitas cabem num verso
fácil?

ágil, entre sílabas e o fumo livre
dos que não respondem
caso não se saiba
é destra a folga de quem habita
em terras mendigadas por pessoas
benditas.

e segue a lua perfeita
encaixada em postes e candelabros
certa dos desagrados
que nos ocupam a alma frágil.

devia roubar um rubro dia
da tua calma chefiada
dum resguardo que confere
aos teus prazeres um leve tom
de permanência sem querer.

assim fomos
entre cabos negros
rumo aos céus.

segunda-feira, 12 de maio de 2025

entre notas de yann tiersen

as saudades que eu sinto
de um amor verdadeiro
são apenas fracas lembranças
duma cicatriz que rasga
quando se lembra o espelho
que o devo contemplar.

vita

nominal e noctívago.
são salubres os traços
que demarcam prazeres
verbalizados, luas cheias
cobertas por sonho e solidão.

apraz
memória vaga, desbocada,
vertendo de transtornos alheios
certos que o par transcende
a fraca força de ser prudente.

rijo cigarro de parede
branda, contra as costas
que se tentam em silêncio
quando a mão joga por dentes
afiados e sem rumo.

minhas são as noites que desejas
na culpa
na oferta absolvida
em quem pouco teme
a paga.

habita nesta sina
evita, evita
és cabrita no abate
da vontade que arrebita.

vita, vita
vita vita vita
és a causa
que me habita.

vita vita vita
és um rasgo que acredita
minha causa tão bendita.

amor e família em tempos de crise

chamam-lhe a diplomática forma de ser
família
palavra pesada de trâmites confusos
distante, amarrado à árvore de ser
como se negam esses apegos baratos
armados pela sentença que toca
aos devedores dos seus cabeços
atados e vergados com resiliência
negando ser mais uma rocha do percurso
encrustada no trilho de vir atrás.

és filho da tua raça, atroz,
primo, irmão, parente
semblante em caule posto
dum vigor que não te coube
compensa
entre querelas e querenças, invariável,
vislumbre duma cobra que cobre apenas
quem foste
em diurnas promessas esquecidas
és alguém, como és, meu caro
família 
um vocábulo que cabe na ponta
da caneta e pouco mais que isso
vedado, incolor,
um fruto da sua espécie.

regredindo que chegue pelas vias do
que foi, há sido não fosse
o destino um rumo obscuro de quem foi
conforme feito, vielas emplumadas de certezas
que conferiu a vaga via dos tentados
quando cobrem de certezas as presas
afiadas
afiadas como sempre na vingança dos
dias temperos,
rasgo de pecado pedalando pelas peças
desse mundo expositivo e vendado
de si mesmo
encoberto no suor duma rasga vista
de olhos claros, pecados que se pagam
quando persiste na linhagem.

tapado de culpa
tapado de brilhos
que aclaram a mentira
persistente e verosímil 
pérolas que escorrem pela face
duma pessoa perdida nos seus apetrechos
baratos de ser possesso.

fraca de cara e farta de cores
os dias borram um quadro
a que chamamos de ética
assim persistem sombras:
chamam pessoa ou um vislumbre
de alguma coisa meio humana.