agora que fechei a porta de que falei tantas vezes posso reflectir em voz alta, pensar com os botões das camisas todas que me deram. é, mesmo mesmo. mesmo mesmo mesmo. três vezes, como a bênção. duas, como o par da vida plena. o teu nome, marca do destino no notário. amor, como pode, não é? fugi do que me ligava àquilo que parecia seres tu, mas em verdade um espelho maquilhado e projectado, por ti e por mim, respectivamente. eu nunca posso confessar, porque cada passo é riscado e traçado e só na verdade do veneno que me vai jogar à cova consigo admitir. foram os teus olhos, primeiro. ironicamente, foi na incompetência inocente de não saberes o que fazer que me agarraste pelo único olho que vê. há algo mágico na incapacidade de fazer o que se quer, ainda mais em tentar algo que não é suposto, como uma prego que para a pista. ilustrações mal amanhadas, que percebeste com a idade, tudo jogado fora porque és inteligente. isso levantou-me ainda mais o espírito. puxei da caneca do meu cunho e dum vinho barato e bati muita tecla que nunca tive coragem de meter aqui. é meio verdade. costumo ser transparente, mas a convicção que algum dia lerias as memórias deste traste fez-me esconder algumas imagens em leitura difícil: como eu disse, "em nome do teu nome" ou as "figurinhas que me guardam o couro" (ou algo que se assemelhe, não estou em condição de ir reler isso tudo). puxei outro cigarro, dei mais um golo. puxado, pesado. o meu único amor depois... ainda não me cabe coragem, pra ser honesto. mais um golo. se calhar cabe. o meu único amor depois da joana. pronto, tá dito. não é preciso ser bruxo, especialmente se leres este canto. sois quantos, quatro? sete se eu tentar? e todos sabem. se calhar melhor que eu. a verdade custa em texto e ainda mais dentro desta cabeça chata. para que conste, eu tento. eu tento e tento e tento. haha, percebes? eu numero as coisas a toda a hora, e meto duplos entendimentos a toda a hora e rezo que alguém entenda e diga algo a toda a hora. e pesco do passado, como se fosse um grande plano. mas não é. o grande plano compete a Deus, maiúscula única neste blog. mais uma confissão, mais uma pista que vos deixo. o espírito e o erótico jogam dentro desta alma depravada a toda a hora. uma dinâmica complicada, porque pensa bem: o meu desejo é fruto de um corpo sedutor, da beleza que apraz a partes que não controlo. pouco intelectual, pouco poético (nem por isso). certamente nada fruto dum espírito transcendental. em contraponto, um elogio, quiçá barato, sem dúvidas autêntico. casámo-nos em espírito antes de saberes o meu nome. um amigo suspeitaria que isto é parte do meu narcisismo adolescente, uma crítica verdadeira e honesta como poucas. cabe-me fazer esse juízo. ele teria razão se soubesse, mas eu sou parte do meu próprio rumo e as palavras declaram as pisadas que largo pelo chão. és tu, filho de yishai. bom amigo, vizinho do pecado e pessoa que perdoa. os sinos cantam pelos céus e não por mim, bem sei. uma das grandes lições que me deste na esplanada. contraponho com uma parte, que no desenho do futuro a estrutura nasce do meu projecto, em parte, conforme a vontade Dele. aceitamos ambos, mas agora preciso muito dessa crença. amor amor amor. filha dum autor. posso ser mais óbvio? posso ser mais claro? debochando do destino, escondo-me. sois um casal capaz, aquilo que idealizo. e censurado fui, e devia ser, por isso. quero ser mestre do destino. feiticeiro com a palavra, quero que o mundo se vergue perante a minha vontade. pelo menos nos pecados que sei, não serias vítima. promessa perigosa e imprudente. celine. pronto, disse. fica disfarçado na minha confiança que ninguém lerá isto até aqui. é um palpite bem sólido, na verdade. mais um golo. tantos antes, senão nunca teria coragem. o teu sócio teria toda a legitimidade em vir a este prédio miserável onde vivo e pegar fogo ao cheiro a gás que se sente logo à porta. eu faria o mesmo. se calhar acordo com a goela exposta, sangue do meu erro. chamariam justiça, mas meio que desejo um destino assim. cinemático, estético. um fim digno e sem culpa (porque não me joguei duma corda, inimigo sempre presente). levem-me à igreja de que fujo, católico barato e de imagem. queres amor e com Deus, que o oferece, aceitas como um remendo. relendo escondo o teu nome. seleciona o texto e verás, é uma estupidez. só não quero ser fotografado em texto. por mim leem três: eu, tu e o branco. ele porque me entende, eu porque leio sempre isto tudo mil vezes. tu porque és o meu sonho maior. uma poeta, sensível, filha e mãe capaz, à espera. Ele olhando de cima, que aprova, claro. não a esta prosa. desejosa e rancorosa prosa. texto de vinho e solidão. como sempre. vimo-nos uma vez, uma coincidência à qual já agradeci muito. meti-te em três lugares: na vontade, na coluna e no dinheiro. desejo, gato e galo. a minha mão no teu queixo, um olho fitando dois, injustiça material. o meu desejo na mesma. queria dizer o teu nome mil vezes. posso esconder de tantas formas, e assim faria, queria tanto que fosse honesto. é, no desejo e no tempo eterno, mas compete-me proteger-me e proteger-te. sou um hostil obstáculo numa vida feliz e estável, incapaz de aceitar o platonismo em mais do que um nível. toca uma música pop que me fala de espresso. mais um golo, fala de nintendo, e mais uma memória de ti que não tenho. acabou o copo. encho-o a meia, como o investimento que faço neste plano. sendo demasiado zeloso, o retorno será igualmente conservador e inconsequente. pelo menos uma mão cheia de poemas, isso ninguém nos tira. estou certo que consto aí algures, nem que seja pela parte podre. e o reverso, ainda mais. e pela parte boa, claro, porque sou superficial e és linda por dentro e em fotos e em rasgos de memórias que cobri com whiskey. eu sonhei com a outra hoje. era uma bruxa a agoirar um retorno com o meu padrasto. isto é o dia a dia. a minha mãe reprova. mais um golo. ela sabe lá. dei-lhe tantos perdões que nunca cantarei. as pessoas que deviam saber são as que eu quero que leiam este... poema? confissão? tu, eu, o daniel. os outros três, a tropa de labutes e de queluz, carregam uma inocência que sentimos os três. não merecem este peso injusto dum autor dúbio como eu. farão certamente parte dos sete. talvez Ele os proteja desta mensagem. se não, em honestidade, já terão sofrido com as consequências. carregado o meu corpo drogado e inconsciente por ruas perigosas e desenhadas da cidade. todos anónimos no comum do seu nome, filhos honestos da nação. daniel, sérgio, martinho, serafim. e nós, exóticas flores da vida. costa e celine. o nosso nome junto parece surreal, um sonho que eu gostava de ter. mas a mim só me competem casas babilónicas e triplos significados. sois honestos, sois verdadeiros. amigos de verdade. eis a minha pequena homenagem, afogada em tudo que me sai do cepo. amanhã serão mais dois, a seguir mais um, e no desejo perco-me entre mulheres sedutoras que aceitam a fraqueza do meu espírito. não precisavas de nada, o dinheiro é uma manha que eu entendo. seriamos nós, tu no desespero dos meus traumas, salva do acervo dum burocrata qualquer. nem eu sei se aceitaria essa proposta. mas joguei o teu nome contra o meu, em honestidade. talvez em cobardia de saber que ninguém virá até aqui. destino, escolhe-me. destino, faz-me teu filho heroico. compete-me ficar numa trincheira, sou duro como as rochas que o vento tornou em terra. se isso não for possível, faz-me pai de filhos. eu amo animais e crianças. e por esse desejo quase que se torna óbvio que não será nenhum. somos a maioria, a geração solitária. os novos filhos do comboio da meia noite. sem rumo, história longa. batendo prosa, tentados todos pelo físico duma princesa, filha do amor, que badala entre a prudência e fantasias do futuro que é consequência do fácil. como todos, mas com menos desculpa. eu penso muito nestas coisas. o meu pecado. uma pessoa disfarçada de pessoa. mais um golo. vinho barato como a renda e como a rua, traças cobrindo a parede, à espera que eu desperte. matei milhares. matarei mais? é possível. um homem sozinho, fugido em vinho, só presta para a linha da frente. serei um corpo a caminho, um pedaço masculino que serviu o seu ponto. Deus que me receba. assim quero, nada seria melhor. tirando ser um par contigo. e ser absolvido pelos meus quatro amigos. meus amigos, daniel, sérgio, martinho e serafim. meu amor, cujo nome está escondido algures num bloco de texto inútil como este. e o outro, malvado, antigo, que me assombra todas as noites e tardes.
p.s.: fui obrigado pela vergonha a retirar o texto, originalmente publicado no final de setembro. agora republico com os nomes todos aldrabados, muito mais sóbrio e tremendo as chinelas.