terça-feira, 12 de novembro de 2024

cortei a mão
em gestos bruscos
e tingi a parede de sangue
para que se lembrem
que plebeus viveram debaixo
de abrigos da chuva
igual às traças e às aranhas
que vivem na cidade.

para o amor abstrato e vencido

eu prefiro falar de mulheres
do que de temas complicados
sobre o futuro, do que será
das sombras do abismo
as ciscadas dos grandes sonhos
marretando nos seus corcéis de vocábulos
que levam a ideia pelas sinuosas 
contracurvas do que não importa
burro como um urso satisfeito
abrindo portas para fazer companhia
sem vontade de comer.

eu amo-te amiga
qualquer uma
ponto final
ponto reticente, vários
que a linguagem não guarda
competência nem com álcool ou sonhos
para descrever como és princesa
sonho de mil noites de verão
varoa duma torre em cheque
mais mais mais
que vós, que eu
leitores machos pixados
todos os que vão chegar a este ponto
másculos e lindos
LINDOS
o camelo bebe água
por tantos meses né?
estiquei-me
e foi foi foi
assim como a tua silhueta venceu
a carne sem vacilo
deuses e animais morrem na estaca
daquilo que é agora
agora agora agora
e eu farto da ágoras
do agora 
venha ele salvar-me de escanteio
em cinzeiros metálicos duros como a vontade
que não perdeu o fogo do tacto que arrasta as unhas
pela carne sangrenta.
venham, venham bascos asquerosos
de vinhos e cidras requentadas
as lamúrias de gentis 
que não nasceram para isto,
o cheiro a salsicha
tresanda a morte de porcos
seu filho da mãe.

bateu em oiro 
doirando as bochechas sedentas
mordendo a mordaça e o pó
quem sabe do que é feito? 
eu não

fizeste a barba, cortaste pontas
espigadas;
que herói da poesia.
morre morre na beira do que não foi
e de onde não és.
faltam horas para comer
e o solo não brota
ração ressequida
dos vulgos fulgores da vontade 
em ouro e prata
invisível.

calham flores em camisas pálidas
a cara derrotada do ator que já se foi
plumado peito de um homem
e de cabedal peneirado das vacas
que dão o leite que mete o cabelo
lisinho e com vontade.

idiota

tu mesmo, leitor
eu, o leitor
que nunca verga o vidro
nem os vultos que larga
pelas velas duma casa
iluminada pelos canhões
do presto e esperto desporto
das volições que são vilões
e o desejo por uma face quente
que encarne com um punho fechado
em aldrabices, fugazes e de cognac.

meita é a espera
dos desacatos do controlo.

eu guardo segredos do mundo negro e fundo
um coração puxado e esticado
nos benditos arcaboiços
do diabo que é filho Dele
como todos e como tudo
que come sol.

"está... morto!" miou por fim

escolhas infelizes pregam presas no alçapão
das patas de gatos bravos, criados nas ruas
e que vivem de migalhas e ratos que circulam
na alta hora do silêncio, em segredo, e que remexem
os contentores e a cablagem exposta de amanhos e puxadas.

eles cravam as garras em desespero, às escuras
rangem os dentes e berram lá de dentro.
não circulam humanos a esta hora
e eles não sabem jogar em equipa.

então então, que desespero que aqui vai!
arruaceiros malvados, calhou a hora
de pagar as favas, estou a perceber.
salvarei os mais quietinhos
ou os mais lindos?
talvez os mais prestáveis
ou então os mais amigos...

e riu-se do outro lado da porta.
a gataria pôs-se calada à escuta.
mas esperaram esperaram
e esperaram e nada
foi só uma troça de um diabo cruel
que passou ali ao acaso
e o soalho virou uma cova
na indiferença do fulano.


segunda-feira, 11 de novembro de 2024

candeeiros no parque

fala rápido quem pode, quem quer ou quem tenta
pelas tépidas trancas do orgulho e da ânsia
de algum cutelo que se encoste à crina solta
e foge a quimera entre as bolhas de mil cores
nos cortes que palpitam entre artéria e via
felpuda no chão quente. parte do todo
finalmente.

É FALSO
não não é
não é?
É F-A-L-S-O
e isso não é optimista?
só depende do chapéu que usas.

rosas embrulham os faroletes à beira
de parqueamentos refeitos para grandes superfícies
o desejo desvanece na sua intensidade
e as espinhas picam nos cantos roídos
de unhas nervosas que já riscaram o chão,
a cara, as escabujas que enrugam a testa,
costas pálidas que já se foram 
e o serrabulho dos ouvidos.

nem o vento passa
nem os melros se vão
só a noite estacionada com os carros
que corre sozinha por entre casas
de um bairro novo.

foi HONESTO
que se habite em mundos vivos
e desencontrados de relva rasa
o cimento rega o chão
com o cinzento do que é possível
e as flores são as luzes que adornam
um mundo rápido como agora.

sábado, 9 de novembro de 2024

amarelos

os amarelos eram um bairro malvado cheio de gunas
e gente da terra rasa mas também são cores cheias de vontade
como as luzes da rua que fogem das pedras que deambulam
embriagadas pela calçada, os calceteiros que as meteram.
blusas brancas em ruas roxas e esquinas que cheiram a fumo
e aos fritos que a cultura carrega pelos seus cinquenta 
madraços comparsas ligados ao município ou ao que fica
à beira do precipício pressuposto fim dos pesos da luta
e do que é difícil explicar em palavras. o poder, o verbo,
o que foi antes de se pintar o que era, a vista da serra ao alto,
os cabaças varoas de flores de plástico e enfeites que piscam.

turbulência nas camadas
que cobrem o pêlo
de mentiras que são decoro
de mentiras que aprazem
ao ouvinte que se senta
e se sente cansado.
frango frito nas beiças dormentes
de bagaço barato.

pujança e confiança na marcha certeira e ordenada
da matilha faminta que antecipa as sequelas da noite
das mil e uma horas de pura névoa e de puras noites
brancas como leningrado no inverno, invicta e adornada
do Senhor em todo o canto, a estrela brilhando no topo da torre.
fala com eles, lembrando quem és e donde vens
dribla com eles e com elas em jeito malandro sudaca nos poros
e nos queros onde habita uma paixão verdadeira.
as ânforas encostadas à parede, mementos doutros tempos
e templos com sangue e fumo de incenso e glória de batalha
punhos fuinhas fechados em cinta grossa, prosa que encanta
contadores de histórias e putos que seguem a sua voz suave
na cantiga dos heróis mitológicos extintos e amantes
de deusas e pecadoras, seios à mostra nos décors
de antigamente. ralé sem noção, ralé sem ração
morrendo de sede e vontade de planos.

sereno não sóbrio
vendo as turvas ondas dum barco
que se afunda pelos rápidos
da confiança de outrora.

asas para que te quero
sonhos que fogem da memória
as coxas da vergonha
mostrando o orgulho
em ter sido tão bela.

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

ganga rija

o pó assenta com a chuva no outono
regam-se os descampados que em seis meses
serão pedras e lixo e flores perdidas e dejetos de cão
o mar cheira melhor, o moribundo calor vai-se pondo
sem escândalos no horizonte, o outro lado da margem.
venham casacos e botas de cabedal, imunes ao tempo
e às balas que soam no campo de tiro que chamam 
de comunidade, de pertença, do teu espaço, o nós
mas sem ti na hora das facas curtas, da querela
entre os caciques do fumo brando, branco e baço
como as lideranças e as andanças das traças
que se perdem entre as teias densas dos predadores.

a pressão sobe enquanto as folhas caem nos quintais
compadecidos de atenção por viúvas magrinhas 
que arrastam os ossos pelo bairro sozinhas
e são devoradas pelos filhos depois de partirem.
vivem em ar fresco e continuamente trazendo a terra
dos baldios e dos vasos empoleirados nas varandas
de madres e de gatos e periquitos enjaulados
cujo canto soa a desespero e solidão
e eles tremendo com o frio de novembro.

ganga rija, biqueira-de-aço, calças sujas
a mão calejada, os pescoços ao relento
que a cacimba só poupa quem a mira de frente
com os dentes na cara e os punhos cerrados.
as gotas que caem rufam tamborzinhos esperançosos
que antes da primavera venham raios de paixão
que cubram a terra na fúria dos perdidos
à chuva sem abrigo e com cara trancada.


a ceia na casa do dr. pirulito

milhares sabem, nenhum escuta
esse é o custo da permuta
entre factos e fatos, o barrete que cobre
as orelhas de cão não protege do frio.

o trote elegante do selvagem-nobre
os cardápios repletos de peixes do rio
e o zelo posto junto com a mesa
trocando impressões da bienal de veneza
os doutores tão sábios, tamanha esperteza
julgava que a classe fosse um prato estanque
mas topei-os em ácidos num baile funk.

em teclados de aço e tapetes da pérsia
trocados e às voltas não encontram o brinco
nas poltronas bem cheias instala-se a inércia
só um tosco de gatas buscando com afinco
se encontra o tesouro será o meu par
mais um par de chapadas a acompanhar.

pé-descalço, inculto
inócua essência 
o tumulto da prole
alguém me dê paciência.
ah, encontraste, boa
agora põe-te a andar 
os adultos querem falar.
mais o caralhinho que ta foda.

quinta-feira, 7 de novembro de 2024

catarina e a adolescente forma de fugir ao teu nome

cabanita, com a tita
bolas 
como és bonita
e o teu riso todo nerd
que suspira
decência nos céus pela vinha.

falas-me de prosa e de textos
repletos de noção antiga
jogaste a isca ao mar
e o burro
deixou-se ficar na ilha.
quando mencionaste
a história
dum bacano que não é humano
e este tosco amochou
e calou-se 
entre o caixote e a quina.

10000 x idota
a dormir
e vai para casa dançar com as sombras.

é verdade, acredita
um conto nasce e arrebita
a vontade de um tanso
coxo e manso
cego e no fim da linha.

amiga, conhecida
és tão linda contra as luzes leves
destes postes fraquejando
como as mãos
e a goela de um parasita.

fosses minha, o meu sonho
eras tu de ceptro
e trono, relaxada e contraída
na leitura, vivendo
entre verso e estrofe.

bata um trovão valente
nesta sina
e um obrigado a ti
poeta, com a catarina,
foi mais longe do que nós na vida.

um gentil poema para um fulano que conheci hoje

quando li que a habitação acessível da câmara
era o fertilizante da árvore jovem que cimenta
as raízes para crescer saudável, vomitei.
como escreve mal este mandrião
vê-se a barriga gorda pelas vírgulas
o sorriso falso com os dentes todos sujos
de vinho tinto do bom a escorrer pelos cantos
o lábio a forçar-se em voluntárias à procura
dum consolo existencial no partido que orbitam.
que nojo, estimado leitor,
nunca serei cúmplice deste banditismo
de cara lavada a dançar como as moscas
numa junta repleta de senhoras tão belas
como as que aqui residem, entre rios, no barreiro.
aos cabeças-de-faculdade e ao ruizinho:
tentativamente matem-se.

mandaste uma posta num blog transiente
se soubesses o que é tão arrojado vernáculo
roubaste a template de um site de aulas
porque os menus falam de vários saberes
que aqui não constam, naturalmente,
só sabes ser feio e amanhar o bigode
e abanar a pixa e pingar o teu mijo
por cima da cerâmica que não sabes obrar.

incompetente.
somos dois, não nego.
mas eu não me faço às pujanças políticas
que como és urso atacas sem medos.

rui braga, és um bosta
um asno perdido
a tua cara de narso não torce em delito
dava-te mil voltas, eu e os meus
trocarias um bairro
por coca e uma foda.
canalha escumalha
atira-te ao lago
brotarão umas flores
mais lindas que tu
quando eras criança e não sabias roubar.

imóvel não pode

fileiras de meia brasa 
pertencem às filhas da conduta
à paz que canta os bosques
e às larvas na fruta podre.

bendito e sereno nos fios de seda e gás
que sobem paredes quadradas e batem nos contornos das nuvens
desenham lampreias aladas que engolem as moscas
e os desejos dos tolos.

no mar há o mar
no céu há o céu
um refletindo o outro
o contacto é o embuste.

quando aumentas a voz e misturas as formas
cortas-lhe as asas e num mergulho profundo
vira uma gosma, um entulho de gente
como o tapete a penantes que ficou na calçada.

escolhe agora o sentido da marcha
adiante como sempre
a norte como na noite
às voltas como uma estátua
(estás aqui)
para a fronteira
em bandos enormes
de chapéus e lencinhos.

imóvel se queda, que lástima
não pode, as fileiras de meia brasa
não se apagam por mortais.
eu tenho dois ouvidos
um para ti 
outro para o resto
aqui estou para ti
ali o que eu quero.

a conta salda com rodagem
deambulando pela noite adentro
seguir-te-ei pela multidão 
e para trás fica o que quero.

desapareceu,
que surpresa.
tens dois ouvidos
mas só um olho
seu anormal.

chá da meia noite

se o destino nos desse bolos
voavam pratos pelo chão
e o doce seria um nojo
e se nos desse um chá de menta
verteríamos tudo pela mesa
e chapinhando com as palmas
voariam salpicos e ficavam as nódoas
nas nossas vestes brancas e puras.
é o que se diz, deve ser prudente
é o que vejo, deve ser real.

o fantasma do desejo dá-nos caminhos de escape
imagina-se em luvas de combate, derrota o oponente
e parte-lhe os dentes, grande gajo
mas só no silêncio do que podia ter sido
e nunca no ringue quando o sino toca.
que zelo no mundo de caras e olhos
como se cala a traqueia malvada
numa falta de vocábulos que me tira o ar.

é do preparo
é do aspecto
é do semblante cansado da sesta
foram as calças que te deram na escola
foi a miséria que te tranca o bico
foram os herdeiros de barco na costa
foi tudo menos a falta de vontade.

a palavra que buscas: fraco
fraco fraco fraco fraco
formiguinha perdida
no bico dum pardal
fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco
as doses de ar pleno
que resistes em apneia
o sopro do esforço
quando olhas de soslaio
e viras a cara a medo.

fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco
fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco
fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco
fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco
fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco fraco

anémico intuito gradeado e apoquentado
posto na beira, foi derrubado
e rebolou pelo chão gasto
e ficaste ali, estacado como um cavalo
amarrado a uma cadeira
vendo-o desintegrar-se com a água doce
e o cheiro a menta.

foi boa a tertúlia ontem
voltei para casa
e fui grande nos meus sonhos.

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

a volta da gana da baixa casta

sentado à rufia no cadeirão de pensar
a mãe considera que me portei mal
pois serviram umas ostras com caviar
salivando com gambas em alho e sal.

a vitória no bolso e o descanso na testa
sonhei com princesas e um dia feliz
lancei os balões e montei uma festa
celebrando o desfecho que o destino quis.

escondi-me encarnado, a vergonha na face
o filho da escória caminhando no mundo
as bochechas rosadas do sujeito da classe
baixa e invisível, a rapa do fundo.

na calada da sombra a cidade navega
os fulanos lançando as mãos ao pão d'hoje
foram sombras ocultas em textos de um mega
que placaram a besta que bufa e foge.

raros dias de sol, e eu de castigo
cantando uns versos no meu lar amigo
que em casa ondula um lago em silêncio
vendemos do solo o sagrado consenso.

o que virá, o brilho,
o tabaco e o milho
que foi feito na terra
e fugiu-se da guerra.


segunda-feira, 4 de novembro de 2024

auto-retrato

um auto-retrato neste dia narciso
pintado de letras, solto no atlântico
ligado por fios que repousam no fundo
a corrente pulsando, sobrinho do mundo.
nunca sozinho, um dito romântico
no cespitoso carinho que julga preciso.

brio, escasso, colchoado, vazio
vestido de verde e branco como um filho de labutes
que não sou, mas fiz por isso
o meu lar foi sempre em sítio bom.
se me permitem o zizio, considero em bom tom
os montes de são marcos, o barreiro e as suas frentes
o velho e o novo, os buracos no caminho
os anos numa rua alcatroada trinta vezes
benfica e o seu bairrismo 
e a humilde moscavide, onde homens lamentam
a perda da essência pela cidade que a come.
periferia, o meu descanso, os teus herdeiros
são um bicho manso que persiste pela história
sem conquistas nem glória, peregrinos da rotina.

em toda a parte um rasto a fumo
a suor e a humidade, os quatro presos às paredes
consagrados, manchados, amarelos
como dentes tortos e os olhos ramelentos
uma vista vendo a fundo, a outra fita o céu
e a razão do seu desígnio, vedes
como ela quando o repouso
vos leva para o outro lado.
nascido da fúria, o zelo paternal manifesto
no desgosto, para mim banal
mas para eles funesto, e bradaram
contra o doutor e contra o mundo e contra o fado
não foi por mal, coitado, o pecado desdobra-se
como uma cobra no bote
o malvado marchando
os miseráveis a trote.
a beleza desta trama é que pactuei não a parte má
mas sim a parte boa, contrato firmado antes da noção
e fiquei protegido duas vezes, da tentação 
e do que marcha, por batismo e cegueira a meio tempo.

é difícil, detesto o espelho pelo qual sou obcecado
esmiuçando os fracassos ao descoberto
fazendo contratos com o ímpeto cheio de fogo
tentativamente colorando a mancha cansada
que se apresenta à minha frente. 
estes versos são quase o mesmo, são para mim
mas dirigidos a alguma coisa que paira pelos cantos:
pessoas, aranhas, a linha do destino, a casta baixa,
os passarinhos, as gotas de vinho pelo corredor,
a voz que manda e taxa, a mão que agarra a tocha
vencedores e vencidos, mulheres de vestido
os abraços fraternos de camaradas
tudo quanto não se vê num reflexo partido.

tenho um aspecto bandido.
o que roubei não é contável
não o pegas, não o cheiras
a inocência, o brilho no sono calmo,
a esperança no nosso povo,
um futuro, o presente, a crença em abril
ou em setembro ou em agosto.
tirei-lhe os contos à cartela
e perdemos no bingo.

no meu retrato estou eu sentado num banco
no primeiro terço, no limite,
rodeado de amigos, um deles com um chapim-azul no ombro
uma grande árvore é o cenário, com as raízes
escondidas no meu assento
a minha família composta do outro lado
duas pombas estão pousadas num ramo junto a eles
orgulhosas mas suspirando
e no extremo oposto a filha dos pescadores
vestida como eu, sentada noutro banco
olhando para fora da pintura
para ti, leitor, ou para si mesma
e mesmo ao fundo, no centro, uma estátua nobre
e coberta de gravuras
com um altar vazio ao lado
e eu estou a olhar para aí.
o chão é um mar de flores
algumas de puro ouro
e as outras negras.

sábado, 2 de novembro de 2024

burro feito herói

bale bale pelo vale
dá-lhe a noite em trote bruto
vai ser o teu coice o surto
que treme treme pelos ares.